Curitiba - Em seus 313 anos de existência, a capital paranaense acolheu milhares de imigrantes e seus descendentes, a exemplo da maioria das cidades brasileiras. Italianos, alemães e poloneses receberam carinho especial em Curitiba e aqui estabeleceram suas comunidades ao longo desse tempo. Agora, em época de Copa do Mundo, os corações se dividem nas gerações de torcedores brasileiros e suas raízes estrangeiras.
''Aquela rivalidade não existe mais, porque os imigrantes chegaram aqui há 130 anos e o que tem mais são bisnetos de italianos. Mas ainda existem os italianos fervorosos mesmo. Os filhos e os netos vão torcer para o Brasil, mas têm apreço pela Itália, claro'', diz Cezar Augusto Culpi, 36 anos, relações públicas do Círculo Italiano da Casa Culpi, em Santa Felicidade, tradicional bairro italiano na Capital.
Culpi, neto de italianos legítimos e que tem como primo o famoso técnico Levir Culpi, afirma que os tempos são outros, mas o carinho pela 'Azurra' ainda é o mesmo. ''Nos anos 50 e 60, quando ainda existiam os primeiros imigrantes vivos, a torcida era maior porque as partidas também eram transmitidas pelo rádio. Hoje vai de cada um. Eu vou torcer para o Brasil, mas aqui nossa segunda pátria é a Itália, temos a alma italiana'', explica.
No entanto, a rivalidade ainda existe, mesmo que pequena. ''Em 94 foi mais complicado, quando o Baggio errou o pênalti o pessoal ficou chateado. Mas como em 82 a Itália também desclassificou o Brasil, ficou por isso mesmo'', lembra. E reafirma a 'boa vizinhança'. ''Aqui vai ser uma grande festa na cantina, com 30 a 40 pessoas. Muito queijo, salame, vinho e o resto é festa. Se aparecer caipirinha, a gente coloca vinho nela e faz caipirinha de vinho, não tem problema!''
O Bar do Alemão, conhecido reduto germânico na Capital, mantém apenas uma regra com os torcedores tupiniquins. ''Nós transmitimos os jogos da Copa desde 86 e fizemos um pacto desde então. Não há transmissão em dias de jogos entre Brasil e Alemanha'', comenta o gerente Jorge Kleptke Tonatto, 41. Mas como foi quando o Brasil conquistou o título sobre a Alemanha em 2002? ''Em 2002 nós abrimos o bar normalmente após o jogo, mas sem comemoração nenhuma'', recorda.
O bar vai oferecer mais uma vez as comidas típicas do cardápio alemão, como também músicas folclóricas e, claro, o chope, com versão verde-amarela. ''Esperamos de 50 a 60 pessoas. Com sou neto de alemães, particularmente vou torcer para o Brasil. Mas acho que desta vez os alemães não estão tão confiantes, eles não estão acreditando no título, mesmo com a Copa sendo na Alemanha'', reflete.
Torcida especial Para os poloneses, o que mais vale é a festa por participar da Copa. E o que conforta a torcida é o fato do Brasil, quando o Mundial começou, em 1930, sequer ter ficado entre os cinco primeiros colocados. ''Por mais que a Polônia não tenha uma grande tradição, pelo menos é uma vitória estar na Copa. E nos amistosos até acabamos ganhando da Croácia'', comemora Fabiano Woiciechowski, 31, coordenador de folclore polonês da Sociedade União Juventus, pólo da comunidade em Curitiba.
Neto de poloneses, Woiciechowski diz que vai torcer para o Brasil e a Polônia de um jeito especial. ''A gente incentiva a Polônia em português mesmo. Mas na hora de xingar, a gente xinga em polonês'', brinca.

mockup