As manhãs dos domingos pré-Copa do Mundo mudaram um pouco a rotina de milhões de famílias. Elas continuam se reunindo para um passeio, mas mudaram o destino ou acrescentaram um local a mais. Domingo de manhã virou a data oficial das trocas de figurinhas da Copa do Mundo. A mãe, o pai, o avô, a tia, todo mundo já se prepara para o momento de ir à caça daqueles cromos que ainda faltam para completar o álbum.
A cada quatro anos a febre dos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo aumenta. A Panini, editora italiana que publica o álbum, colocou apenas no mercado brasileiro uma tiragem de 8,5 milhões. A publicação chegou às bancas há um mês e muita gente já conseguiu completar os 640 cromos.
A febre de colecionar está virando cada vez mais um hábito familiar e não apenas do filho ou do marido. Até mesmo a presidente Dilma Rousseff revelou que está colecionando junto com o neto Gabriel, de 3 anos. Ela afirmou que o novo hábito a ajuda a aliviar a tensão do dia a dia presidencial.
Em Londrina, as bancas de jornal e revistas estão congestionadas. É gente comprando, trocando e até por esse vai e vem de pessoas com seus álbuns e figurinhas, os locais tornaram-se ponto de encontro de colecionadores. O Mercado Shangri-lá, na zona oeste de Londrina, é um dos mais tradicionais. Ontem pela manhã, centenas de pessoas disputavam o espaço na praça que fica junto ao local. Uma das mais felizes era a pedagoga Rossana Gontijo, de 36 anos. Ela estava com a família toda e havia acabado de conseguir e última figurinha que faltava para completar seu álbum. Exibia orgulhosa e o difícil "troféu", o cromo do zagueiro Omar Gonzalez, da seleção dos Estados Unidos.
"Já havia ido a outro ponto de troca hoje e não havia achado. Achei que não fosse conseguir, mas acabamos encontrando aqui e estamos muito felizes", disse, celebrando a conquista da família. "Temos um álbum para a família toda. É uma oportunidade de fazermos um programa em família ao sair para trocar as figurinhas, além de conhecermos pessoas, interagirmos. É divertido", completou a pedagoga, que gastou R$ 170 para completar o álbum. As cerca de 100 figurinhas repetidas que sobraram foram dadas de presente lá mesmo no ponto de trocas.
Já o empresário Tarcísio Rodrigues Silva, de 35 anos, botou a esposa e a filha na caça às três figurinhas que faltavam: Thiago Silva, Valdívia e a seleção da Bósnia. "Sou muito fã de esportes e também dos jogadores. Aqui a gente tem o relacionamento com o pessoal que também coleciona, troca experiências. É legal", afirmou.
A figurinha mais difícil, segundo os próprios colecionadores, é a do astro brasileiro Neymar. Quando alguém tem esse cromo para troca, só o cede em troca de um número maior de figurinhas. "O Neymar ninguém quer trocar. Não sei o motivo, mas preferem guardar a figurinha do Neymar mesmo sendo repetida", contou Rossana.
O álbum custa R$ 5,90 e cada pacote contendo cinco figurinhas sai por R$ 1. Quem não conseguir completar o álbum comprando os cromos nas bancas ou mesmo trocando com outros colecionadores, pode fazer um pedido dos números faltantes diretamente à editora.

mockup