A febre das corridas
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de maio de 2014
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Pode ser no Zerão ou no Igapó. No Cabrinha ou na Praça Nishinomiya. Não importa o lugar. Por onde você olha tem alguém correndo. A febre das corridas de rua invadiu as cidades e ganha mais e mais adeptos. Seja por condicionamento físico, por saúde ou mesmo competitividade, os corredores amadores e profissionais se proliferam e movimentam os parques, ruas e a economia.
As provas pedestres proliferam no mesmo ritmos dos corredores, assim como as assessorias profissionais, os produtos e serviços especializados e até mesmo o setor de turismo esportivo, com as viagens para corridas em todos os cantos do mundo. Somente hoje, os corredores de plantão têm sete opções de provas para disputar, entre elas a Meia Maratona das Cataratas, em Foz do Iguaçu (21 km), a Maratona de Porto Alegre (42 km) e a Rural Corre, em Londrina (3/6/9 km).
O professor Richards Moura, treinador e proprietário da R80 Assessoria Esportiva, ensina como correr e praticar exercícios físicos há dez anos, mas foi nos últimos cinco que viu o número de alunos crescer consideravelmente. "Antes era legal, mas não tinha nada a ver com o que é hoje. Eu tinha uns 12 alunos, hoje tenho 200", contou.
Um levantamento da Pluri Consultoria, especializada em analisar o mercado esportivo, apontou que o setor cresceu 7,1% ao ano entre 2007 e 2011, representando 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Ao dar uma volta pelo Lago Igapó, principal cartão postal de Londrina, por exemplo, é possível encontrar várias equipes de assessoria esportiva. E a procura por esse serviço só aumenta. Não só pela conscientização de que é preciso acompanhamento profissional, mas também porque a corrida virou um meio de conhecer pessoas, socializar e até fazer negócios.
Mas será que basta calçar o tênis e sair correndo? De acordo com o ortopedista Ciro Veronese dos Santos, não é bem assim. O especialista em medicina esportiva e cirurgia do joelho alerta que é fundamental passar por uma avaliação médica antes de iniciar qualquer prática esportiva frequente. Isso vale tanto para os atletas como para pessoas que se exercitam regularmente ou os que vão deixar o sedentarismo. "No caso das corridas de rua, podem ocorrer problemas ortopédicos devido ao desequilíbrio muscular causado pela falta de preparo físico adequado. Dessa forma, avaliação médica com acompanhamento multidisciplinar de nutricionista e educador físico é muito importante para a maioria dos praticantes", afirmou o ortopedista, lembrando que é imprescindível também uma visita ao cardiologista para um check-up do coração.
As principais queixas dos praticantes de corridas, segundo Veronese, estão relacionadas com processos inflamatórios em tendões - as chamadas tendinites - ou lesões causadas por sobrecargas na rotina de treinamento. "Há até mesmo fraturas por estresse em alguns casos. Há ainda lesões ligamentares de joelho ou tornozelo ocasionadas por trauma torcional durante o ato da corrida", lembrou, ressaltando a importância de preparar o organismo para o exercício desejado. "Com um bom alongamento e fortalecimento muscular de região de coxas e pernas. São procedimentos vitais para desempenhar a atividade física sem correr risco de lesão, além de acompanhamento de profissional da área, para melhor planejamento do treinamento, de forma progressiva, buscando melhorar o desempenho com cautela mostra ter importante impacto na diminuição do número de lesões", completou o ortopedista.
Esta avaliação médica é cobrada pelas assessorias antes de a pessoa iniciar o treinamento. Tudo para garantir a integridade física e o melhor desempenho de cada um. "Pedimos avaliação medica para treinar. Também aconselhamos nossos que atletas façam treinos de fortalecimento paralelo aos treinos de corrida", afirmou Moura, que também prega a boa alimentação e o descanso como fundamentais.
O empresário Osvaldo Turquino Júnior, de 44 anos, começou a correr dois anos atrás. No entanto, somente há três meses contratou acompanhamento profissional e viu seu rendimento subir, os quilos desaparecerem e o prazer em correr aumentar. "Perdi 15 quilos nesses três meses. A equipe motiva você. Cada um puxa um ritmo e você acompanha. É muito diferente de correr sozinho", afirmou.
Ele vai disputar hoje a sua quarta corrida. Vai tentar uma boa colocação na prova de 9 km da Rural Corre. "Cada vez mais consigo diminuir meu tempo. Mas o que quero mesmo é envelhecer com saúde. Por isso, tem que ser sagrado, largar tudo o que está fazendo e vir correr, ser saudável, trocar ideias", disse.


