A estreia de Ricardo Goulart e cartolas que deveriam se calar
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domingo, 17 de fevereiro de 2019
Paulo Vinícius Coelho 
Aos dez minutos do segundo tempo, em Araraquara, Felipão não tinha ainda admitido que a alteração do intervalo era seis por meia dúzia. Saiu Carlos Eduardo, nulo, entrou Felipe Pires. Saía a correria, entrava a velocidade. Só que o Palmeiras precisava de alguém capaz de pensar o jogo. Felipe Pires, então, sofreu falta violenta, como já havia acontecido na segunda-feira (11) com Scarpa. O Palmeiras reclama da violência com razão.
A lesão antecipou a estreia de Ricardo Goulart. Também mostrou o que Felipão pensa dele taticamente. Na entrada, Goulart foi escalado como meia, atrás de Borja. Dudu estava na esquerda e foi para a direta, Lucas Lima virou meia aberto pela esquerda. Sua primeira grande jogada foi toque de primeira. Deixou Borja frente a frente com o goleiro Tadeu. O Palmeiras não jogou bem no empate por 0 a 0 e seu desempenho neste ano ainda não é bom.
Quem quer falar de futebol?
Era para ser notícia o que aconteceu aos dois minutos do primeiro tempo, no Maracanã. Porque, diferente do que foi contra o Flamengo, quinta (14), o Fluminense tentou sair jogando contra o Vasco e foi pressionado na saída de bola. A equipe de Fernando Diniz trocou passes e ultrapassou a primeira linha de marcação do Vasco, enquanto o narrador chamava a atenção para o que havia do lado de fora, conflito entre a torcida que tentava entrar no estádio e a polícia, que cumpria a ordem judicial de fechar os portões.
Dois minutos depois, o Fluminense subiu o time inteiro para tentar desarmar os zagueiros do Fluminense. Os vascaínos, dirigidos por Alberto Valentim, jogavam com suas duas linhas de meio-campo divididas por 12 metros, no máximo. Como na Copa do Mundo, embora sem jogadores da mesma qualidade.
Tinha tudo para falar sobre variações táticas, sobre a qualidade. Aos 30, as câmeras do Maracanã se voltaram para os primeiros torcedores do Vasco entrando na arquibancada.
Do ponto de vista tático, Vasco e Fluminense seria o jogo mais diferente do Brasil no domingo (17). Ninguém falou sobre isso. Não tinha como.
Na madrugada, a juíza Luíza Helena do Passo assinou liminar proibindo a entrada de torcida no Maracanã por um motivo estúpido. O Fluminense entende que seu contrato com o estádio dá direito à sua torcida ficar no setor à direita das tribunas, setor historicamente do Vasco desde 1950. Os nove clássicos após a reinauguração do Maracanã, em 2013, foram com os tricolores no setor sul. O Maracanã sempre respeitou o contrato. A nova gestão do estádio julga a redação do acordo ambígua. A juíza também entendeu a ambiguidade.
Mas que importância tem isso numa partida em que a renda é dividida por 50%? Num estádio em que a parte central é dividida com as duas torcidas lado a lado... Quando o Brasil falar sobre futebol, em vez de picuinhas, a qualidade vai melhorar.
Em campo, o Vasco prezou a defesa compacta. O Fluminense, a movimentação e a troca de passes. Teve 71% de posse, finalizou só duas vezes e perdeu numa cobrança de falta. Não foi um grande jogo, mas teve conceitos modernos aplicados. Diferente dos técnicos inquietos, os dirigentes deveriam ficar quietos.


