Campeã mundial em 2005 e única medalhista olímpica brasileira do taekwondo, a londrinense Natália Falavigna pode não competir mais até o final de 2014. Mas o motivo não é mais a sequência de lesões que a tirou de competições importantes nos últimos anos. A luta dela agora é contra a falta de apoio.
A menos de dois anos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Natália simplesmente não sabe quando poderá voltar aos dojôs oficialmente. O único apoio que recebe, R$ 2,5 mil/mês por representar o Exército Brasileiro, não é suficiente para mantê-la na ativa Brasil afora. "Esse ano é um pouco difícil. É complicado dizer uma competição X ou Y porque estou sem patrocínio, não consigo me estruturar para viajar, nunca posso confirmar qual é a próxima viagem", diz a taekwondista, que competiu pela última vez em março, no Sul-Americano, quando ainda fazia parte da seleção brasileira.
Em decorrência da sequência de lesões, Natália caiu da liderança para a 34ª posição no ranking mundial da categoria acima de 67kg. Fora do top 20, ela não pode receber o Bolsa Pódio, do Ministério do Esporte. Para piorar, a londrinense ficou fora da seleção brasileira ao acertar ocasionalmente um golpe no rosto de sua adversária, na final da seletiva interna, em fevereiro deste ano. Sem a vaga, ela também não recebe apoio da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKd).
Depois de uma passagem pelo Rio de Janeiro, a lutadora voltou a Londrina no início deste ano. Desde então sua rotina se divide entre os treinos e a busca incessante por apoio. Mas até agora nada. Nem privado, muito menos público. "Tentei já. Londrina sempre me acolhe bem, as empresas já me ajudaram, mas infelizmente desde o início o apoio público nunca foi uma coisa que pude contar muito. Fico triste, pois amo minha cidade, represento Londrina, mas não fico me lamentando. Negócio é continuar trabalhando e esperar algo de fora, porque aqui está difícil em termos públicos", cutucou a lutadora.
Cansada da forma como tem sido tratada pelas entidades que gerem o esporte brasileiro, Natália descarta fazer como em outras tantas oportunidades, em que se viu obrigada a tirar dinheiro do próprio bolso para competir.
Certo é que sem competir, a medalhista de bronze em Pequim-2008 se distancia de disputar as Olimpíadas pela quarta vez na carreira. Sem estar nas grandes competições, ela não tem como subir no ranking mundial, que será critério de classificação para os Jogos do Rio.
Mas ela não desiste. Quer e sonha representar seu país em casa. "Não olho para as dificuldades, sei que elas estão aí, mas continuo treinando e me preparando para a seletiva do ano que vem, com o objetivo de voltar à seleção como titular e voltar a contar com alguns patrocínios para poder competir", projeta. "É uma situação difícil, que nunca vivi antes? É. Mas tenho que levantar a cabeça e trabalhar. Daqui a pouco a oportunidade vai surgir e tenho que estar preparada. Só ganhando títulos vou poder falar, me posicionar de uma maneira maior", continuou.
Em 2016, Natália terá 32 anos. A idade, no entanto, ela garante que não será problema. "Enquanto me sentir bem e competitiva, vou seguir. Se conseguir cada dia me vencer e continuar evoluindo é o termômetro para parar ou não", encerrou.

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