Curitiba - Com 20 mil atletas inscritos, será disputada na tarde de hoje, em São Paulo, a 84 edição da Corrida Internacional de São Silvestre. Prova que terá um sabor especial para o corredor Vanderlei Cordeiro de Lima, um dos maiores nomes do atletismo nacional, que aos 39 anos se despede das competições profissionais. ''A partir de 1º de janeiro, sou apenas um atleta amador'', afirmou o paranaense de Cruzeiro do Oeste, medalhista de bronze na maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.
Os 15 quilômetros que Vanderlei percorrerá hoje pelas ruas da capital paulista serão os últimos de uma carreira iniciada aos 12 anos, quando deu os primeiros passos no atletismo. Após uma série de bons resultados em competições regionais, Vanderlei encaminhou-se para o profissionalismo em 1988, quando foi treinar em São Paulo. De lá para cá, colecionou bons resultados em algumas das principais provas nacionais e internacionais, tanto na rua quanto na pista. E ganhou destaque pela primeira vez justamente em uma São Silvestre, a de 1992, quando subiu ao pódio com a quarta colocação.
Especialista em provas de fundo, Vanderlei foi bicampeão Pan-Americano na maratona, em 1999 e 2003, além de ter conquistado as maratonas de Tóquio (1996) e de São Paulo (2002). Mas o auge da carreira chegou em Atenas, onde completou os 42 quilômetros da maratona olímpica na terceira colocação, após ter sido vítima de uma das cenas mais insólitas da história dos Jogos. No meio da prova, quando liderava, Vanderlei foi agarrado por um ex-padre irlandês que invadiu o percurso. Até que conseguisse se livrar do estranho personagem e retomasse seu ritmo, o brasileiro acabou perdendo a liderança. Mas surpreendeu o mundo ao cruzar a linha de chegada vibrando como se fosse o vencedor, feliz com a medalha de bronze. Sua demonstração de espírito olímpico lhe rendeu a medalha Pierre de Coubertin, maior honraria concedida pelo Comitê Olímpico Intarnacional.
O ciclo de glórias, porém, sofreu desgastes por uma série de contusões. No ano passado, uma pubalgia comprometeu o sonho de Vanderlei disputar a Olímpiada de Pequim. E levou o paranaense a anunciar que a São Silvestre de hoje será sua última competição como profissional. ''É claro que a expectativa é grande, mas não sinto nenhuma angústia por estar encerrando a carreira'', disse o atleta ontem, em entrevista concedida por telefone à FOLHA. ''Por todo o carinho que estou recebendo aqui, tanto da imprensa como de outros atletas e do público, este é um momento para curtir e aproveitar'', acrescentou.
Vanderlei não tem a menor pretensão de se despedir com outro pódio na capital paulista, nesta que será sua 12 participação em São Silvestre. ''Não fiz nenhuma preparação específica para a prova. Comecei a treinar só há três semanas e não vou correr em busca de resultado. Meu objetivo é completar a prova, não importa a posição'', explicou. Segundo ele, sua expectativa é correr em aproximadamente 55 minutos. Tempo quase 10 minutos acima do conseguido pelo vencedor do ano passado, o queniano Robert Cheruiyot, que completou o percurso em 45min57s.
O fim da carreira, no entanto, não vai significar o afastamento de Vanderlei do atletismo. Além de continuar correndo como amador, ''sem a pressão por resultados'', ele pretende se dedicar ainda mais aos projetos sociais e esportivos que ajuda a desenvolver. Entre eles, alguns realizados em Cruzeiro do Oeste, Maringá e Campo Mourão. ''A partir de agora vou ter mais tempo para dar atenção aos projetos e à região, dando minha contribuição para promover o esporte'', disse. E na memória continuará levando os bons momentos vividos na vitoriosa carreira. ''Sou grato ao esporte por tudo o que me proporcionou'', concluiu.

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