A sexta-feira no Londrina prometia ser tranquila. Com a comissão técnica definida e o elenco quase completo para a próxima temporada, sem amistosos marcados, sem treinos com bola e com exames físicos no distante campus da UEL, a vida no clube seguia em águas mornas, tocada em ritmo de calmaria. Mas um maremoto assolou o habitat do Tubarão e colocou em risco seu futuro próximo.
Uma reunião ordinária do Conselho Deliberativo deu início a uma profunda crise entre a diretoria executiva e o grupo co-gestor liderado pelo empresário Iran Campos, sócio majoritário da Londrina Júnior Team.
O conflito provocou o rompimento unilateral de Campos na parceria, deixando o clube sem seu principal patrono. ''A decisão é irreversível'', garantiu o empresário. Com isso, a comissão técnica formada após o Brasileiro e os novos contratados poderão deixar o clube a partir de quarta-feira. ''Vou assumir todos os compromissos até esta data, depois eles decidirão se ficam ou não'', explicou.
A crise começou com acusações feitas pelo conselheiro Luiz Souto de Camargo ao ex-diretor financeiro, Luis Fernando Matos, que teria subtraído R$ 50 mil obtidos com a bilheteria dos dois confrontos com o Cruzeiro pela Copa do Brasil, em fevereiro.
Prosseguiu com as suspeitas de desvio dos R$ 27 mil emprestados pelo goleiro reserva Marcelo para o clube saldar folha salarial atrasada e passou pelo relato de inconsistência contábil por membros do conselho fiscal. Acabou com a proposta da extinção do departamento de marketing do clube, acusado de não lançar as supostas receitas de publicidade estática no balancete do primeiro semestre.
O ponto crítico ocorreu no início da tarde de ontem nos microfones da Rádio Paiquerê, quando o presidente Osvaldo Sestário Filho acusou diretamente o co-gestor Iran Campos de tentar tramar um plano de desestabilização de sua gestão. ''Já vi muita coisa errada na Londrina Júnior Team e engoli muito sapo. Estou me sentindo traído'', declarou.
A réplica de Campos foi incisiva. Ele anunciou o rompimento da parceria com o clube. ''Não converso mais com o senhor Osvaldo Sestário Filho e não quero mais nenhum tipo de contato com ele. Estou muito triste e magoado'', disse horas depois por telefone à reportagem da Folha.
Outro desdobramento da crise deve ser o fim da terceirização do departamento amador de Londrina. O Londrina Júnior Team foi criado em janeiro de 2001 por Iran Campos e mais duas dezenas de sócios com o objetivo de formar jogadores para o profissional. A receita com a venda destas revelações seria usada para quitar as dívidas, consideradas um entrave para o progresso do clube.

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