A corrupção é parte integrante da IAAF
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
France Presse 
Paris - "A corrupção é parte integrante" da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), cujos dirigentes "não podem ignorar a amplitude do doping", estima a comissão de investigação da Agência Mundial Antidoping (Wada), em um relatório divulgado ontem.
Na segunda parte do presente relatório, apresentado em coletiva de imprensa em Munique, na Alemanha, e que contou com a participação de Sebastian Coe, atual presidente da IAAF, a comissão de investigação considera que a corrupção "não pode ser atribuída somente a algumas maçãs podres que atuam de forma isolada" e estima que a IAAF não "foi firme com uma série de países, incluindo a Rússia".
A IAAF foi presidida até agosto pelo senegalês Lamine Diack, que foi sucedido pelo britânico Sebastian Coe, anteriormente vice-presidente.
O relatório aponta também para o papel desempenhado por Diack e seus filhos, Papa Massata e Khalil: "O Conselho da IAAF não podia não estar ciente do nível de nepotismo dentro da IAAF", criticou.
"Quando o presidente da IAAF (Lamine Diack, indiciado pela justiça francesa), seu conselheiro pessoal (Habib Cissé, também indiciado), dois de seus filhos em cargos de confiança (Papa Massata e Khalil Diack, ambos empregados pela IAAF), o diretor do departamento médico e antidoping (Gabriel Dollé, também indiciado) e o secretário-geral adjunto estão todos envolvidos em atividades suspeitas ou criminosas, é a reputação da IAAF como um todo que está em posição duvidosa e é esta reputação que precisa ser restaurada", acusa o relatório.
Após a divulgação do relatório, a Interpol colocou Papa Massata Diack na lista de pessoas mais procuradas a pedido da justiça francesa, anunciou ontem a organização internacional pelo Twitter.
Papa Massata, ex-consultor de marketing da IAAF, é procurado por suposto fraude, lavagem de dinheiro e corrupção, em meio à investigação sobre o escândalo de corrupção e doping que sacode o atletismo.
RÚSSIA
A primeira parte do relatório, publicada em novembro, desvendou um sistema organizado de doping na Rússia. A Wada declarou que a Rusada (Agência Russa antidoping) e o laboratório antidoping de Moscou não respeitavam o código mundial antidoping.
Após a divulgação das irregularidades, a IAAF suspendeu a Rússia de toda competição de atletismo, abrindo as portas para a possibilidade dos atletas russos serem proibidos de participar dos próximos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto.
Para que os russos possam competir nos Jogos do Rio-2016, é preciso que o Conselho da IAAF retire a suspensão. A próxima reunião do Conselho será realizada em março, em Cardiff, no País de Gales.


