A Copa para quem não é Brasil
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sexta-feira, 08 de junho de 2018
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 

A Copa do Mundo é um evento capaz de fazer um país inteiro voltar as suas atenções para uma partida de futebol e aflorar o nacionalismo mesmo em quem pouco se importa com o futebol no dia a dia. A simples presença de uma seleção nacional em campo para jogar um Mundial faz com que uma nação inteira se una em 90 minutos, mesmo para quem está longe da pátria amada.
A FOLHA conversou com alguns estrangeiros que moram em Londrina para saber como é a relação deles com suas seleções, a expectativa para a Copa e como pretendem torcer mesmo tão distantes da sua gente.
O técnico de basquete uruguaio Roosevelt Dominguez mora em Londrina há 35 anos, mas todos os anos viaja a Montevidéu para manter acesa a paixão pela Celeste, pelo Peñarol e a cultura da terra do Rio da Prata. Gringo, como é conhecido o treinador, está confiante em uma boa campanha do Uruguai, que está no grupo A do Mundial, ao lado da anfitriã Rússia, da Arábia Saudita e do Egito.
"O nosso ponto fraco era o meio-campo, mas hoje está melhor, principalmente com a presença do Bentancur, que joga na Juventus", aponta. "A nossa defesa sempre foi muito forte e o ataque com Cavani e Suárez é um dos melhores da Copa".
O amor pela seleção bicampeã mundial ultrapassou gerações e contagiou os filhos Camilo, 27 anos, e Gabriel, 21, que nasceram no Brasil, mas escolheram torcer pela Celeste. "Não tem como você não assistir a um jogo do Uruguai, os jogadores dão o sangue pelo time. Todo jogo do Uruguai é emocionante. É só lembrar do que aconteceu nas duas últimas Copas", afirma Camilo, se referindo às classificações contra a Costa Rica, em 2014, e diante de Gana, nos pênaltis, para a semifinal, em 2010.
Para o caçula da família, o Uruguai chega até a semifinal. "Mas, não descarto algum tropeço já na primeira fase e, de repente, a classificação na última rodada contra a Rússia", acredita Gabriel. Perguntado sobre um eventual confronto com o Brasil, a resposta está na ponta da língua. "Serei sempre Uruguai".
O cara
Nenhum brasileiro esquece da acachapante vitória por 3 a 0 da França sobre o Brasil na final da Copa de 1998. Muitos sonham com uma revanche contra os franceses, que despacharam a seleção canarinho também no Mundial de 2006. Apesar da rivalidade, o músico francês Daniel Busi, o Zazou Wave, tem admiração pelo nosso futebol e nossos craques. "Hoje torço para o PSG por causa do Neymar, Marquinhos, Thiago Silva", confessa.
Morando em Londrina há 17 anos, Wave acredita que a seleção francesa está mais forte que nas duas últimas Copas e aposta que Antoine Griezmann tem tudo para ser um dos melhores jogadores do Mundial. "Acho que ele será o cara da Copa. Temos ainda o Pogba e o Mbappé, que é ainda muito jovem, mas tem qualidade", ressalta.
O músico confessa que já foi um torcedor mais apaixonado nas Copas anteriores, mas agora vive um momento mais light. "Se a França ganhar, maravilha, se o Brasil ganhar ficarei feliz também. Hoje, a minha filha, que veio para o Brasil com cinco meses, é mais apaixonada pela França do que eu. Se jogar França e Brasil, ficarei dividido", garante.
Experiência
Uma das grandes surpresas da Copa de 2014, a Colômbia vive a expectativa de fazer novamente uma grande campanha. Há quatro anos foi eliminada pela seleção brasileira nas quartas de final. "Um Mundial é sempre muito competitivo e por isso se repetir o que fez no Brasil estará muito bom. Mas, agora o nosso time está mais maduro e experiente", afirma o pesquisador Eduardo Rubiano, que veio para Londrina há 12 anos e aposta na categoria do meia James Rodríguez. "Ele está melhor do que há quatro anos. Mas, temos também o Falcão Garcia".
Apaixonado pelo futebol, Rubiano é torcedor do Millonarios, de Bogotá, mas aprendeu a gostar também do Londrina. "Hoje sou torcedor do LEC e vou sempre aos jogos no estádio do Café".
A Colômbia está no grupo H e enfrenta na primeira fase o Japão, a Polônia e Senegal. "Vou assistir aos jogos em casa e só com a minha família mesmo para evitar a presença dos pés frios", brinca o colombiano.


