Curitiba - O Bairro Tatuquara é um dos mais pobres e densos de Curitiba. A região também está no topo das estatísticas de índices de criminalidade na cidade, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Nesse quadro, a população e principalmente as crianças e adolescentes ficam constantemente expostos à violência. O cenário é preocupante, mas não irreversível.
Um espaço da prefeitura de Curitiba, que iniciou suas atividades na semana passada, oferecendo a prática gratuita de ginástica e artes marciais no bairro pode contribuir para afastar muitos moradores, especialmente os mais novos, da atual realidade. E mais. Colocá-los de frente para uma nova perspectiva de vida.
No centro, que conta com uma academia de musculação de 704 metros quadrados com equipamentos novos, professores especializados e uma área apropriada para a prática de lutas, o jiu-jitsu - que tem como filosofia possibilitar que o praticante supere adversários mais fortes e maiores apenas com a técnica - tem atraído novos admiradores. A concepção da luta, que está intrínseca na realidade da comunidade, pode explicar tanto interesse.
Todas as turmas abertas até agora estão com a capacidade esgotada. Cerca de 200 alunos, a grande maioria de crianças, aprende com professores especializados a técnica de alavancas e imobilizações da arte milenar do jiu-jitsu. Além disso, o centro já oferece aulas de capoeira. E a prefeitura negocia novas parcerias para, em breve, oferecer no local também aulas de muay thai e luta olímpica. Mais para frente, a prática de judô, caratê, boxe e taekwondo também pode entrar no programa.
''O projeto foi idealizado pelo Neivo Beraldin (secretário municipal de Esportes) e a intenção não é formar atletas e sim dar uma iniciação das artes marciais. O objetivo é usar o esporte na inclusão social e educacional'', explica o professor Valério Dezan, coordenador de esportes do novo centro.
E a garotada na primeira semana de aulas se mostra empolgada. Sem tirar os olhos do professor de jiu-jitsu Eduardo Magalhães, o garoto André Marques dos Santos, 12 anos, tentava assimilar cada movimento. ''É legal. Eu fico vendo para fazer igual'', afirma.
A dona de casa Josilene Dantas, 35 anos, depois de ter saído da ginástica, acompanhava os três filhos - de 7, 10, e 11 anos - na aula de jiu-jitsu. ''É uma tranquilidade para gente. É bom para eles e para nós. Eles no esporte ficam longe da rua, da frente do computador e da televisão. Espero que não seja fogo de palha'', disse Josilene, ainda desconfiada se tanto benefício será realmente duradouro.
Pela procura nos primeiros dias, o projeto não só será permanente como deverá ser ampliado para outras regiões, conforme o projeto da prefeitura. No Tatuquara, a previsão é atender mensalmente 7,2 mil pessoas. Uma amostra da grande demanda que espera a oportunidade de aliviar com o esporte, a dura rotina.

mockup