Seleção é recebida com festa em Londrina. Na bagagem, porém, alguns problemas...
Milton DóriaDelegação chega na manhã do dia 3 de janeiro: time na cabeça do treinador e alguns problemas na bagagemPaulo WolfgangBatedores abrem alas para o ônibus da seleção: recepção calorosaPaulo WolfgangPMs isolam fãs dos jogadores no Hotel Crystal: segurança máximaPaulo WolfgangLucas dá autógrafos no alambrado do VGD: primeiro treino da seleção, já no dia 3, atrai três mil torcedoresFazia sol forte no final da manhã daquela segunda-feira, 3 de janeiro, quando a Seleção Brasileira sub-23 desembarcou em Londrina. Sob o comando de Wanderley Luxemburgo, técnico também da equipe principal, 20 jogadores nascidos até 1977 deram início a duas semanas de preparação com vistas ao primeiro desafio de um grande projeto: garantir uma das duas vagas no Pré-Olímpico de Londrina para depois, em setembro, disputar em Sydney, Austrália, o único título importante que falta ao futebol brasileiro – a medalha de ouro olímpica.
O desembarque da delegação foi a conta-gotas. O primeiro a chegar foi o paranaense Alex: o meia do Palmeiras chegou às 10h30, vindo de Foz do Iguaçu. Em seguida, vindo de Marília-SP, chegou o meia Fabiano, do São Paulo. Adriano, do Atlético Paranaense, estava na cidade desde o dia anterior. Pouco antes do meio-dia, sob muita expectativa, desembarcou o restante do time – sem os flamenguistas Athirson e Luís Alberto, que perderam o vôo no Rio – com um problema na bagagem: o time espanhol Real Bétis ameaçava rescindir o contrato de imagem do atacante Denílson se ele não retornasse para integrar a equipe em uma partida pelo Campeonato Espanhol e outra pela Copa do Rei.
A expectativa na cidade era muito grande e maior ainda foi a receptividade que o povo londrinese ofereceu aos jogadores. Muitas pessoas compareceram ao Aeroporto mas, apesar de todo o carinho, o londrinense não pôde ver seus ídolos de perto. Um forte aparato policial garantia a segurança dos jogadores, que apenas viam de longe os acenos por onde passavam no trajeto do aerorporto até o hotel Crystal, local onde permaneceriam por mais de um mês.
A disposição parecia mesmo a marca do selecionado brasileiro: já no primeiro dia em Londrina, os jogadores treinaram no Vitorino Gonçalves Dias (VGD) e ainda fizeram o reconhecimento do gramado no Estádio do Café. E o apoio do torcedor era mesmo irrestrito: só no VGD, mais de três mil pessoas assistiram ao primeiro treino do time de Wanderley Luxemburgo em Londrina. O público foi maior que o de costume em muitos jogos dos times da cidade. Com um detalhe importante: para assistir aos treinos era cobrado ingresso de R$ 2,00.
A cidade estava mesmo pronta não apenas para receber a Seleção Brasileira, mas também as outras quatro equipes que fizeram de Londrina a sede do grupo A do torneio Pré-Olímpico de Futebol. A segurança das seleções estava garantida com a presença de 350 homens da Polícia Militar de Londrina, 300 policias da região de Londrina e outros 110 cadetes da Academia do Guatupê, de Curitiba.
Para os treinamentos, sete campos foram colocados à disposição dos jogadores: o Brasil treinou no VGD e na Associação dos Funcionários Muncipais de Londrina (AFML); o Chile trabalhou no PSTC; a Colômbia treinou no Nichika; o Equador no Iapar e a Venezuela no Cacique.
O comandante Luxemburgo disse na primeira entrevista que já tinha o time titular na cabeça mas se negou a comentar mais sobre a esperada escalação da seleção. O mistério só foi desvendado dias mais tarde. Mas a história brasileira no Pré-Olímpico ainda traria surpresas, com cortes, dispensas e novas convocações.

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