São Paulo, 2 (AE) - Vencer o primeiro título mundial para o Corinthians é um desafio que vale, aos bicampeões brasileiros, o raro prazer de perpetuar o nome na história do clube. Mais até do que o dinheiro que o título poderá render, os jogadores corintianos estão decididos a dar um basta ao tabu da equipe, de jamais ter vencido uma competição internacional importante. "É agora ou nunca", resume o atacante Edílson.
Estressados pela desgastante temporada de 1999, ano em que o time fez 84 partidas, os jogadores mal tiveram tempo para comemorar a conquista do bicampeonato brasileiro. Decididos a enfrentar qualquer sacrifício para vencer o Mundial, não pensaram duas vezes em abrir mão das próprias férias. "Qualquer sacrifício vale a pena para ser campeão mundial", diz Marcelinho. "Esse título vai nos colocar eternamente na história do clube. E também vai representar muita coisa na nossa própria história. Chegou a hora de esquecer cansaço, estresse, férias."
Praticamente com o mesmo elenco que ganhou o bi brasileiro, o técnico Oswaldo de Oliveira ganhou apenas três reforços para disputar o Mundial: o veterano Adílson, contratado do Júbilo Iwata, do Japão, e duas revelações da Ponte Preta, o lateral-direito Daniel e o zagueiro Fábio Luciano. "A não ser pela falta de ritmo do Adílson e falta de entrosamento de Fábio e Daniel, trata-se de um belo grupo, que reúne todas as condições para vencer o Mundial", assegura o técnico Oswaldo de Oliveira.
Mesmo reconhecendo que a disputa na primeira fase deve ser com o Real Madrid, o treinador reservou um tratamento especial também para as duas equipes menos famosas do grupo: Raja Casablanca e Al Nassr. Mesmo sem conhecer profundamente essas equipes, Oliveira sente um certo perigo contra esse tipo de adversário. "Um tropeço contra uma dessas equipes pode acabar com as nossas pretensões", avisa o treinador.
Ao contrário do Corinthians, que está em fim de temporada e jogará desgastado fisicamente, os três adversários de seu grupo estão em plena atividade e devem levar alguma vantagem por isso. Principalmente árabes e marroquinos, que além de estarem acostumados a jogar em temperaturas ainda mais altas, também são habituados a disputar competições com esse perfil - fazendo três ou quatro partidas a cada dois dias, numa só cidade. "É comum no Marrocos e na Arábia uma fase final de campeonato ser disputada nos mesmos moldes do Mundial", explica Oswaldo, que trabalhou por muitos anos nos Emirados árabes e no Qatar.
Apesar da temporada desgastante, fisicamente o time deve se superar, na avaliação do preparador físico Antonio Mello. Depois de atravessar um período de incertezas quanto uma eventual reação negativa dos jogadores, que foram praticamente obrigados a abrir mão das férias e de boa parte das festas de fim de ano, Mello tranquilizou-se na reapresentação do grupo. "A forma como os jogadores chegaram para treinar no dia da reapresentanção, me deu a certeza de que o time não perdeu a empolgação da competição. Todo mundo voltou feliz, querendo trabalhar. Só isso não é o bastante, mas já é um sinal positivo de que o grupo comprou a idéia de ganhar a competição". TIME-BASE: Dida, Índio, João Carlos, Adílson (Márcio Costa) e Kléber; Rincón, Vampeta, Marcelinho e Ricardinho; Edílson e Luizão.