A caminho dos Emirados Árabes
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terça-feira, 15 de março de 2011
Rafael Souza <br> Reportagem Local 
Nada como a escolha certa na hora certa. As críticas vieram de todos os lados quando o faixa preta de jiu-jitsu Nilson Lopes resolveu trocar o terno e a gravata do curso de direito pelos quimonos. Hoje, ele olha para trás e não tem do que se arrepender. O professor acaba de ser contratado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) para dar aulas da arte marcial essencialmente brasileira na capital Abu Dhabi.
Tudo começou após um anúncio em um site de artes marciais em abril do ano passado. Nele, o governo dos EAU abria seleção para contratar 40 professores para trabalhar naquele país ensinando jiu-jitsu em escolas - nas quais a modalidade é matéria obrigatória -, academias e bases militares. Algo pouco comum, e que gerou dúvidas no começo. Mas quando o viu o salário - na época 3,5 mil dólares, já reajustado em quase 100% - Pokemón, apelido herdado nos tatames, não teve dúvidas e resolveu arriscar.
Requisitos ele atendia a todos. Escolaridade, experiência internacional e inglês fluente. Feito isso era hora de esperar. ''Depois de ser selecionado ainda passei por uma entrevista por vídeo-conferência, uma série de exames médicos e deu tudo certo'', contou Pokemón, o único londrinense pré-selecionado entre os oito que embarcam amanhã rumo ao sudoeste do continente asiático.
Na bagagem, Pokemón quer levar muito mais que somente sua experiência como professor, adquirida ao longo de 13 anos em vários países - além do Brasil, ele deu aulas também na Sérvia, Itália e Inglaterra. ''Além do lado da luta, de aprender a defesa pessoal, tem a parte da disciplina, do desenvolvimento psicológico, que faz do jiu-jitsu uma arte apreciada no mundo inteiro'', diz.
Para se ter uma ideia da expansão que as artes marciais vêm ganhando no mundo árabe, o sheik Tahnoon Bin Zayed Al Nahyan comprou 10% dos direitos do evento UFC (Ultimate Fighting Championship), com a intenção de levar para o seu país algumas lutas do campeonato de MMA mais famoso do mundo, como uma forma de popularizá-lo. A meta de Tahnoon é implantar o jiu-jitsu em todas as 500 escolas de Abu Dhabi até 2015.
Antes de embarcar, o londrinense, que além de dar aulas também pretende lutar em alguns destes eventos, ainda aproveitou para cobrar uma atenção maior das autoridades brasileiras para com o jiu-jitsu. ''É um esporte criado no Brasil, mas que o próprio brasileiro não valoriza. Aqui, já enfrentei muitas situações de preconceito e lá fora somos tratados como estrelas, com um reconhecimento fora do comum'', exemplificou Pokemón.
''Estes 13 anos foram a minha faculdade. Eu sempre acreditei no esporte e agora estou tendo minha recompensa. É um prêmio por todos estes anos de batalha, de persistência'', comemorou o lutador, que terá um contrato de dois anos, renovável a cada ano após o seu vencimento.


