A bola vai rolar
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
Agência Estado 
Johannesburgo - A colombiana Shakira foi o ponto máximo da alegria no show de abertura da Copa do Mundo. Mas a emoção quem proporcionou foi Desmond Tutu, personagem histórico na luta contra o apartheid. O bispo anglicano, de 78 anos, Prêmio Nobel da Paz em 1984, arrancou aplausos e lágrimas, na festa desta quinta-feira no estádio do Orlando Pirates, no Soweto, ao dar as boas-vindas a todos os que vieram à África do Sul. ''A África é nossa origem'', recordou. ''Sejam bem-vindos em casa. Somos todos africanos''.
Tutu entrou no palco dançando, com cachecol dos ''Bafana Bafana'', camisa e gorro da seleção anfitriã. Cumprimentou o público em diversas línguas, disse que vivia um sonho lindo, fantástico - ''Por favor, me acordem!'' - e fez um tributo a Nelson Mandela, o homem-símbolo do país e ''a quem devemos tudo isso''. ''Ele está em Johannesburgo. Se gritarmos alto, vai nos ouvir''. O público atendeu.
Foi a deixa para o telão mostrar imagens de vários momentos da vida de Mandela, que deve fazer breve aparição nesta sexta no Soccer City, antes de a bola rolar para África do Sul x México. Aplausos, choro, reverências nos camarotes oficiais.
Se o discurso de Tutu e o filme de Mandela foram tocantes, o cardápio de atrações foi da empolgação a momentos mais mornos em mais de três horas de músicas intercaladas a discursos e filmes institucionais. Artistas internacionais como Black Eyed Peas e Alicia Keys, além de Shakira, revezaram-se no palco com cantores de diversos países da África, uma mistura mais que esperada em celebrações assim.
A festa começou às 20 horas - 15 horas no horário de Brasília -, com o trompetista Hugh Masekela e a cantora Lira esquentando o público com Pata Pata, sucesso de Miriam Makeba nos anos 60. Na sequência, o Black Eyed Peas, um dos grupos mais badalados da atualidade, fez os cerca de 30 mil espectadores pularem com o hit ''I Got a Feeling''.
A primeira pausa na música foi para a entrada em cena de Jacob Zuma, presidente da África do Sul, e Joseph Blatter, presidente da Fifa. O cartola, com terno escuro e cachecol branco, disse que o futebol ''não é um jogo, mas forma de inclusão'', e anunciou o engajamento de sua entidade no projeto que prevê educação para milhões de pessoas no continente nos próximos anos.
O presidente Zuma, que vive crise governamental (enfrenta forte oposição) e familiar (expulsou de casa uma de suas mulheres por adultério), foi muito aplaudido ao agradecer a Fifa, por apostar na África, e principalmente o povo de seu país, pela forma calorosa como tem recebido os turistas. ''E peço que sejam todos assim até o final da Copa do Mundo''.


