A 5.000 PÉS DE ALTURA!
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de julho de 2000
Andrés Baró Especial para a Folha 
Onze e meia da manhã em Castro, Sul do Estado.
Blam!
Fecha-se a porta do Cessna 185. O pequeno avião capacidade para cinco pessoas começa a dirigir-se para a pista de decolagem. A tensão é grande. Além do piloto, encontram-se comigo no avião: Gil, o instrutor da Escola Pecos de Pára-Quedismo, e dois alunos de um estágio mais avançado que realizarão o 13º salto do dia a 10 mil pés (3.000 metros) de altura. Portanto, o primeiro a pular do avião serei eu. A 4.500 pés.
Enquanto o avião sobe, vejo pela janelinha o mundo diminuir, diminuir, até parecer uma pintura. As casas ficam miúdas, o rio vira um pequeno filete de água, as florestas, os morros e desníveis se diferenciam apenas pela cor. E a enorme reta de chão batido do aeroporto de Castro, o meu local de pouso, parece mais com um traço de giz no meio do campo verde. Os 10 minutos que o avião leva até o Ponto de Saída ou da hora h do salto parecem uma eternidade.
Nessa hora, pensa-se nos familiares. Reza-se. Lembrei do meu pai pedindo para não fazer essa loucura... Mas já era tarde para qualquer recuo. Faltam poucos instantes para lançar-me no vazio.
Passamos dos 4.500 pés, quase nos 5 mil, e Gil me pergunta:
Pronto para o salto?
Só há chance para uma resposta. Faço a leitura do altímetro e abre-se a porta. O vento é forte e frio. Sentado com as pernas balançando para fora, penso na insanidade que estou prestes a fazer, jogar-me com uma mochilinha nas costas nesta imensidão vazia.
O é visual único, alucinante! Uma mistura de adrenalina e ansiedade invade meu corpo. Sinto meu coração batendo forte na garganta.
Gil grita:
Vai!
Um mil, dois mil, três mil... é a contagem de três segundos que correspondem à queda livre até que o pára-quedas se abra. Sente-se um pequeno choque, que na verdade é o enorme breque que ele exerce ao abrir, amortecido pelo Slider, um equipamento flexível que reúne as cordas acima da cabeça.
Após a checagem de abertura, precisamos testar a navegabilidadde do pára-quedas. Primeiro, o freio (flare), duas vezes; depois as curvas para a direita e para esquerda. Ok! Se até agora as respostas foram todas positivas, bom vôo! Vivencie bem esta emoção e preocupe-se apenas com o pouso, seguindo as instruções dadas pelo rádio, instalado no capacete.
Se por acaso você é o azarado que teve uma pane segundo o instrutor Bel, a chance é de uma em 5 mil não se desespere. A única coisa a fazer é desconectar o pára-quedas do seu corpo e acionar o reserva. Não há chances para mais imprevistos. Existem dispositivos de segurança, como o Cypress e o FXC, que acionam o pára-quedas reserva automaticamente na altura de 1.500 pés, caso a pessoa ainda esteja caindo sem nenhum pára-quedas aberto.
Se, por um lado, o pára-quedismo exige dos principiantes muita coragem e determinação, a segurança é garantida no esporte sempre que praticado sob a supervisão de instrutores competentes. Primeiramente, é importante escolher uma boa escola de pára-quedismo, credenciada pelo Departamento de Aeronáutica Civil (DAC), e fazer o curso teórico, que dura em média seis horas, realizado em dois dias da semana. Depois é só combinar a data e o local dos saltos, geralmente feitos nos fins-de-semana. Noções sobre a influência dos ventos, segurança do equipamento, técnicas de navegação e de pouso, e de como atuar em casos de emergência são aprendidos no curso e apurados numa prova escrita antes da decolagem.
Assessore-se em uma escola de pára-quedismo. Com o acompanhamento profissional, as chances de acidentes são mínimas. A qualidade dos equipamentos e a sua preparação são feitas por pessoas experientes e capacitadas. O problema está quando já se tem o equipamento, e a dobragem do velame (pára-quedas) caem nas mãos de terceiros... ou nas suas mesmo. Aventure-se! Salte e deixe a adrenalina correr!


