A 200 km/h, o stresse não tem vez
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domingo, 04 de março de 2007
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
As primeiras provas do ano do Campeonato Metropolitano de Automobilismo e do Campeonato Regional de Motovelocidade agitaram o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina, na tarde de ontem. Na pista, os motores roncaram alto, com todos os pilotos querendo começar bem as competições.
Quem foi ao autódromo viu bons pegas, com os carros e motos chegando a quase 200 km/h. Porém, o que nem todos sabem é que por trás dos macacões e capacetes, na maioria dos casos, não estão pilotos profissionais. Eles são profissionais liberais, empresários, estudantes. Correm por amor à velocidade e são ''viciados'' na adrenalina proporcionada pelo esporte.
Em um ambiente dominado pelos homens, um rosto feminino que circula em meio aos marmanjos pelos box chama a atenção. A estudante de enfermagem Amanda Barbosa, 19 anos, corre há três na categoria Speed Fusca. Ela se encantou com a velocidade ainda criança, por influência do pai, o mecânico e preparador de veículos de competições Maurício Barbosa.
Aos 9 anos, a garota ganhou um kart e os títulos logo apareceram. Ela foi três vezes campeã paranaense da Regional Norte de Kart. Correndo entre os adultos ainda não conquistou nenhum título, mas está andando nas primeiras posições e incomodando muita gente. ''Alguns dos meus colegas são machistas e não aceitam perder para mim. Até acidentes já aconteceram por causa disso. Me esforço a cada prova para mostrar a eles que, dentro das pistas, a disputa é de igual para igual'', reclama Amanda.
E a pressão não incomoda a menina, que a primeira vista parece muito frágil e precisa colocar um peso extra, com pedaços de chumbo, no seu carro para completar o peso mínimo exigido para competição. Ela quer ir longe no mundo da velocidade e já desenvolve um projeto com a Londrina Truck Racing, equipe londrinense que compete na Fórmula Truck. ''Mesmo sendo baixinha quero correr com os caminhões. Porém, a idade mínima da categoria é 21 anos, por isso já estou preparando tudo para correr daqui há duas temporadas'', avisa.
Companheiro de categoria de Amanda e um ''papa-vitórias'' da categoria Speed Fusca, o imobiliarista Antônio Sapia Júnior começou a correr em 1995 e nunca mais parou. A história do recordista de vitórias do Autódromo Internacional Ayrton Senna - Sapia já venceu mais de 50 vezes em Londrina - é interessante. Ele começou no automobilismo como patrocinador, ajudando um amigo a ser piloto. Depois decidiu correr também. ''Eu nem sabia que tinha talento para pilotar'', diz o imobiliarista.
Experiência - Outro bom exemplo de amor pela velocidade é o empresário Odair Delefrati, 50 anos. Ele correu pela primeira vez com uma motocicleta em 1979 e se apaixonou pela motovelocidade. Mesmo sem grande patrocínio começou a competir e chegou a ser campeão brasileiro, em 1995. Além disso, em 1998, foi vice-campeão da Copa RD 350, segundo ele, o melhor campeonato de motovelocidade já realizado no Brasil. ''Nunca foi um piloto profissional, sempre tive que me dedicar a uma outra atividade profissional'', relata.
Se achando velho, Delefrati parou de correr em 1999, mas neste ano decidiu voltar. ''Voltei a correr e vi que o ser humano pode ir além dos seus limites. Quando estou em cima da moto, me sinto com 20 anos'', garante.
Outro que gosta de correr e ganhar é o empresário Márcio Imagawa. Durante a semana ele cultiva mudas de plantas frutíferas e grama. No domingo pisa fundo para defender o título de campeão da categoria Marcas. Questionado sobre qual é o segredo de um campeão, ele não esconde o jogo. ''O segredo é que meu carro quebra pouco. Eu mesmo o preparo e faço isso com o mesmo carinho que trato as minhas plantas'', revela.


