O lateral direito Rafinha já disputou Olimpíada, as duas últimas finais da Liga dos Campeões da Europa, a do Mundial, mas não é exagero dizer que hoje é o dia mais importante da vida esportiva do londrinense. Ele terá duas horas para convencer o técnico Luiz Felipe Scolari a levá-lo para a Copa do Mundo. O jogador do Bayern de Munique será titular neste amistoso contra a África do Sul, o último teste do Brasil antes da convocação final para o mundial.
Felipão convocou o jogador somente agora. Antes, vinha mantendo a dupla favorita para ocupar as duas vagas na posição, Daniel Alves, o titular absoluto, e Maicon. Ao convocar Rafinha, o treinador justificou dizendo que queria observá-lo para o caso de "uma emergência", dando a entender que Rafinha só iria à Copa caso um dos dois concorrentes se lesionasse.
Rafinha já viveu a frustração de ficar de fora da Copa em 2010, quando a seleção brasileira era dirigida por Dunga. Ele mantinha as esperanças de ir ao Mundial por ter comprado briga com seu então clube, o Schalke 04, para disputar a Olimpíada de Pequim. Chegou a ter uma boa fatia do salário descontado. Foi titular na campanha da conquista da medalha de bronze, mas foi esquecido na Copa, quando Dunga chamou justamente Maicon e Daniel Alves. Na seleção principal foram cinco convocações e não era chamado desde 2008.
O jogador mantém a confiança e a esperança. Desde que se tornou titular do time alemão após a chegada de Pep Guardiola – seu maior garoto-propaganda –, ele repete seu mantra de que trabalhando bem, uma oportunidade apareceria. Ela apareceu e ele quer agarrá-la. "Espero poder jogar e mostrar que eu mereço continuar no grupo", afirmou Rafinha, que bateu um papo exclusivo com a FOLHA:

Como você define esse jogo do Brasil para sua vida, para sua carreira?
É um jogo muito importante, pois pode valer uma vaga para a Copa do Mundo. Estou indo muito bem no meu clube e por isso tive uma oportunidade na Seleção. Espero poder jogar e mostrar que eu mereço continuar no grupo.

Vendo o Felipão convocando sempre Daniel Alves e Maicon, em algum momento você acreditou que não teria mais chances antes da Copa?
Eu sempre disse que se eu continuasse a fazer um bom trabalho no Bayern de Munique, que hoje é um dos maiores times do mundo, a oportunidade ia aparecer.

Como vai ser o Rafinha em campo quarta-feira?
Primeiro eu tenho que jogar (risos). Mas, se tiver a oportunidade, eu vou tentar jogar da mesma maneira que eu venho sempre jogando.

Qual será o seu espírito em campo?
Como sempre, guerreiro, lutando e honrando a camisa da seleção brasileira.

O Felipão justificou sua convocação dizendo que precisava te testar para o caso de "uma emergência", deixando nas entrelinhas que Maicon e Daniel Alves serão os laterais na Copa. Como você pode fazê-lo mudar de ideia?
Espero poder estar bem nos treinos e, se jogar a partida, poder colocar um ponto de interrogação na sua cabeça.

Você é muito amigo do Maicon, vocês conversam sobre essa disputa particular?
Maicon é meu parceiro de longa data. Ele me parabenizou pela oportunidade, mas não existe uma rivalidade entre nós.

Qual a contribuição dada por Pep Guardiola para esse crescimento notável do seu futebol?
Com certeza, a vinda do Pep para o Bayern e a minha manutenção no time titular foi fundamental. Ele me deu todo o apoio e eu venho crescendo a cada jogo.

Vai levar alguém da família ou amigos para a África do Sul para ver o jogo?
Vou ter uns amigos que vão vir, mas a família vai ficar torcendo por mim em Londrina.

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