82 já estão fora do Rali Paris-Dacar-Cairo
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Niamey, Niger, 14 (AE) - Dos 365 veículos que largaram em Dacar, efetivamente para competição, só 283 estarão em Sabha na próxima segunda-feira para a largada do que deveria ser a 11a etapa do rali Dacar-Cairo - devido à paralisação causada por uma ameaça terrorista, será na verdade a sétima, entre Sabha e Waw el Kebir, na Líbia. Eram 135 carros (restam 113), 200 motos (144) e 30 caminhões (26). Não estão incluídos aí os veículos inscritos apenas para assistência.
Poucos deles saíram da prova porque até o momento houve, acima de tudo, trilhas de terra batida, que não costumam trazer grandes problemas. Mas de agora em diante, os pilotos terão o deserto pela frente. E muitas dunas para atolar. Terão também um choque térmico. Faz muito calor em Niamey, onde todos estão parados desde terça-feira. E os "coelhos" que foram abrir as trilhas líbias disseram que a temperatura mínima lá chega a quatro graus.
De todas as pessoas que acompanham o Dacar, duas não enfrentarão esse frio. O cinegrafista e o repórter do canal de esportes norte-americano Speedvision foram proibidos de entrar na Líbia, país com o qual os Estados Unidos têm uma relação historicamente conturbada. Se algo lhes acontecesse lá, seu canal estaria sujeito a uma série de sanções do Departamento de Estado, entre elas uma multa de US$ 250 mil. Já os pilotos americanos irão normalmente para a Líbia.
E são os pilotos dos mesmos três veículos que largaram em Dacar, pois os Estados Unidos estão entre os 13 países que ainda têm todos os concorrentes na prova. Os outros são Brasil e Senegal (sete veículos), Rússia (cinco), áustria, Irlanda e Suécia (dois), áfrica do Sul, Croácia, Finlândia, Hungria, Lituânia e Eslovênia (um).
Dos países com maior participação, a situação é a seguinte: França (165 veículos inscritos e 74% remanescentes); Espanha (31 e 84%); Bélgica (29 e 93%), Itália (24 e 83%). Vale lembrar que a Bélgica é o único deles que tem mais carros que motos, e daí vem o melhor aproveitamento: sempre há mais desistências entre as motos.
Tentando arrumar atividades em Niamey, os pilotos da equipe BR Lubrax (André Azevedo, Kléver Kolberg e Juca Bala), junto com as reportagens do JT/Estado, O Globo, Clarín (Argentina) e TV Globo, foram fazer um passeio de barco no rio Níger. O ponto de embarque era numa região que em muito lembra uma favela, com casas feitas de barro. O cartão de visitas, ali mesmo, era um garoto exibindo orgulhoso para as câmeras um rato morto e ensanguentado. E o ponto alto foi a possibilidade de ver alguns hipopótamos curtindo sua vida mansa.
No briefing de hoje à noite (há um todo dia), o organizador do Dacar, Hubert Auriol, disse que o transporte aéreo da caravana para a Líbia está transcorrendo dentro do previsto. Mas fez a ressalva de que ainda não dá para cantar vitória. Ou seja, a prova "deve" recomeçar segunda-feira.


