São Paulo - Em provas disputadas em uma tarde de calor intenso, os quenianos dominaram o pódio na 80 edição da São Silvestre para assumir a liderança no ranking de países. No masculino, venceu Robert Cheruyot, agora bicampeão, e no feminino a compatriota Lydia Cheromey foi tricampeã.
Agora, contando as provas feminina e masculina, os quenianos têm 14 títulos, enquanto os brasileiros foram campeões em 12 oportunidades. Portugal ficou em terceiro, com 11 vitórias no total.
Apesar de uma leve chuva antes da largada, os homens, assim como as mulheres, também padeceram sob o forte calor.
Desde que o pelotão de elite (formado por oito corredores) assumiu a liderança no Minhocão, os quenianos em nenhum momento abandonaram a ponta.
No fim do Minhocão, o grupo de elite era formado por quatro quenianos, pelo australiano de origem etíope Cisai Bezabeh e pelo brasileiro Rômulo da Silva, a maior aposta do país.
Quando passavam o viaduto do Chá, Cheruiyot apertou o passo e abriu vantagem que chegou a 80 metros. Ele terminou a prova em 44min43s. O segundo colocado foi Bezabeh, com o tempo de 45min06s. ''No ano passado, deixei o pelotão de elite se distanciar. Esse ano corri ao lado de meu irmão (Stephen Biwott) até o décimo quilômetro e então disparei'', explicou.
O brasileiro mais bem colocado foi Clodoaldo da Silva (quinto ).
Antes da corrida, a queniana Lydia Cheromey disse que sua estratégia seria acompanhar de perto o bloco de brasileiras e não permitir que se distanciassem. Foi o que fez, até pouco depois de o grupo atingir o sétimo quilômetro - um trecho de ligeira subida -, quando ela se desgarrou.
Até então oito corredoras (seis brasileiras e três quenianas) compartilhavam a liderança, com a brasileira Lucélia Peres, que ficou em segundo, puxando o grupo.
Cheromey, 27, rapidamente ampliou a diferença que a separava das rivais. No décimo quilômetro já tinha uma vantagem de mais de 180m e terminou a prova, com tempo de 53min02s, mais de 300m à frente de Peres. A queniana comentou após a cerimônia de premiação que sua vitória foi relativamente fácil. ''A prova não foi tão difícil quanto nos anos anteriores. Não tive adversárias tão próximas e a corrida não foi tão competitiva'', analisou.
As brasileiras discordaram da afirmação da vencedora. ''Não foi bem assim, a prova estava muito equilibrada e forte. Na São Silvestre a cada ano fica mais difícil dizer quem é a favorita. Todo mundo tem condições de ganhar''.
A vice-campeã concordou. ''As brasileiras estavam bem preparadas por isso estamos no pódio.''
Mesmo apontando o equilíbrio da prova, as brasileiras lamentaram o fato de que sua estratégia de correr em grupo não surtiu o efeito desejado. ''Tentamos correr juntas e ditar o ritmo, mas quando a queniana decidiu disparar, não deu para acompanhar'', afirmou a terceira colocada na prova.
Depois da corrida, com a excessão de Cheromey, todas as fundistas que compuseram a prova passaram mal por conta do forte calor no horário que oscilou entre os 33ºC e 34ºC. Peres, que foi ao solo logo após a prova, teve de ser atendida durante cinco minutos. Assim como Clodoaldo Silva, ela havia ficado meses parada este ano por conta de lesão.
''O calor muito forte atrapalhou um pouco'', comentou Adriana Aparecida da Silva, terceira colocada, que protagonizou com Peres até o final da corrida a disputa pela segunda colocação.
O quarto lugar da prova feminina ficou com a queniana Perrinah Limakori e o quinto, com a brasileira Marili dos Santos.
Com a vitória, Cheromey, como Cheruyot, levou R$ 21 mil.

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