500 Milhas estão ameaçadas
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Da Redação 
Os quase 390 quilômetros por hora de média atingidos por Maurício Gugelmin nos treinos da última etapa da Fórmula Indy, no novo superoval de Fontana, continuam preocupando os dirigentes da Championship Auto Racing Teams (CART). Assustados com as previsíveis consequências de acidentes nessas velocidades, os grupos responsáveis pelas regras técnicas e esportivas da categoria prometem mudanças. Entre elas, discute-se o fim das corridas de 500 milhas.
Defensores dessa tese, como o renomado jornalista Robin Miller, do Indianápolis Star, alegam que provas tão longas em circuitos tão rápidos, os superovais de Michigan e Fontana, não têm vencedores, e sim sobreviventes.
De fato, as velocidades atuais não permitem reação dos pilotos, como ficou claro no acidente entre o holandês Arye Luyendyk e o alemão Arnd Meier em Fontana. A câmara instalada no carro de Luyendyk - que substituía o campeão Alessandro Zanardi, afastado da prova por ordem médica depois de se envolver em dois acidentes no primeiro dia de treinos - mostrou que a pista estava limpa segundos antes dele se deparar com o carro de Meier, que rodara à sua frente. Mas a cerca de 400 km/h, Luyendyk não teve como evitar a colisão, sofrendo, ele também, concussão cerebral leve.
Mas nem todos concordam com as medidas. Roger Penske, dono da equipe que leva seu nome e dos circuitos de Homestead, em Miami; Nazareth, na Pensilvânia; e Fontana, na Califórnia, rejeita veementemente o fim das provas de 500 milhas. Esta categoria nasceu e se criou em torno de corridas de 500 milhas, argumenta o poderoso Penske. Concordo que algo deve ser feito para diminuir a velocidade, mas não acabar com nossas tradições.
Michael Andretti, que soma 36 vitórias e é hoje o maior vencedor da Indy em atividade, é visto como um dos pilotos mais ousados da categoria, mas também condena as velocidades atuais. É loucura andar a esta velocidade, analisa o piloto da Newman-Haas. Os carros são bastante seguros, mas, mesmo assim, Zanardi, Luyendyk e Patrick Carpentier deixaram a pista com concussões cerebrais. Estes avisos não podem ser desprezados. Alguma coisa precisa ser feita, qualquer coisa, desde que faça a velocidade cair.


