O dia chegou. O Londrina, enfim, completa hoje 50 anos de fundação. Mas a festa dá lugar à melancolia. As glórias que dariam motivos para comemorações, ficaram no passado distante e deram lugar a um festival de vexames, resultados de más administrações, de cartolas irresponsáveis e preocupados apenas com o interesse próprio.
Para não deixar passar em branco a importante data, a diretoria atual programou tímidas festividades. Afinal, o clima não permite muito oba-oba. É hora de relembrar o que foi feito lá atrás, quando o Londrina era o verdadeiro Tubarão, temido, respeitado e glorioso. Época em que conquistava títulos, lotava estádio, dava espetáculo, revelava jogadores como os goleiros Ado e Neneca e os atacantes Éverton, Élber e Agnaldo, e fabricava ídolos.
Hora também de cair na real. De ver que o time, que se acostumou a figurar entre os destaques, tem que se adaptar ao simples papel de coadjuvante, na maioria das vezes, apenas um figurante.
Nestes 50 anos de história, foram três títulos estaduais 1962, 1981 e 1992. A torcida viu o clube vencer a Taça de Prata de 80 (Série B do Campeonato Brasileiro) e chorou o rebaixamento na competição em 2004. O LEC fez a cidade se orgulhar em 77, quando abalou o Brasileirão com uma campanha surpreendente, e ter vergonha em 2006 quando no ano que tinha tudo para ser marcado por festas acabou ainda em março com a eliminação precoce no Paranaense e a perda da vaga na Série C do Campeonato Brasileiro.
Na véspera do aniversário, ainda veio o golpe de misericórdia. O clube praticamente perdeu a sede campestre, único patrimônio que tem, por causa da irresponsabilidade de cartolas que não honraram seus compromissos. O terreno e toda a sua estrutura foram leiloados para pagamento de dívidas com INSS.
Já são 14 anos sem conquistas desde o Paranaense de 92. Em 96 e 98 ficou o gosto amargo do quase, quando o acesso à Série A do Brasileirão bateu na trave. Em 98, porém, além do gosto amargo ficou no torcedor a revolta por uma susposta venda da vaga, que até hoje gera discussões e faz levantar dúvidas quanto à legitimidade daquela derrota para o Gama-DF.
Reflexão Mesmo diante desse quadro, o presidente Peter Silva, que tenta juntar os cacos e levantar o clube através de seu bom relacionamento com a cúpula que comanda o futebol nacional, vê motivos para comemorações. ''Temos que comemorar tudo. A existência do Londrina, os títulos, as emoções, as revelações, os ídolos. Temos que comemorar na tristeza e na dureza também. A história tem muitas coisas boas que temos que aproveitar'', enumerou Peter.
Ele concorda que é um momento de reflexão também. ''Revendo esses 50 anos, poderíamos ter crescido mais. É um momento de refletir, de ver o que queremos para os próximos 50 anos. De repente, as conquistas dos 50 anos podem vir em dez. É nessa hora que temos que reagir'', disse. ''Os fatos ruins têm seu lado bom. Talvez a cidade comece a acordar e ver que estamos ficando sem nada. Daqui a pouco vamos ter só 11 camisas''.
O ex-jogador Carlos Alberto Garcia, um dos maiores ídolos do clube, presente nas principais conquistas, concorda que é necessário exaltar as glórias e que é um momento de reflexão. ''Pela data e pela importância do clube, é preciso comemorar, mas o momento não é bom. Alías, não é hoje o momento crítico. Isso vem de anos. Não da época do Peter, do Agostinho (Garrote, ex-presidente), ou do Garcia. É um problema de mais de uma década'', apontou o ex-jogador.
Garcia aponta o único meio, em sua avaliação, de salvar o clube. ''Só com R$ 3 milhões em caixa para pagar as dívidas. Não vejo um milagre de alguém resolver, mesmo conquistando títulos. É como uma empresa falida e com resultados negativos é ainda pior''.

SERVIÇO
- Veja a programação da festa dos 50 anos do LEC: 15 horas, inauguração do Marco Zero, no Edifício Monções, antigo Hotel Monções, na Rua Maranhão, 56; 17 horas, abertura da mostra ‘‘Londrina 50 Anos - 1956 - 2006’’, no Museu Histórico de Londrina; 19 horas, Culto Ecumênico do Cinqüentenário, na Catedral Metropolitana

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