O paraatleta curitibano Ezequiel Eli Pinheiro Rosa, 36 anos, é um exemplo de homem e de esportista. Ele passou por dificuldades na vida que poderiam tirar o otimismo e a felicidade de qualquer pessoa comum. Porém, Ezequiel foi forte. A cada golpe que sofria, arrumava motivação para passar por cima dos problemas e continuar na luta.
Teve paralisia infantil aos 2 anos e perdeu os movimentos da perna esquerda, o que o obrigou a passar o resto da infância de muleta e cadeira de rodas. Como se não bastasse isso, aos 18 anos contraiu meningite e teve o lado direito de seu corpo atrofiado, conseguindo recuperar apenas os movimentos da perna. Mas nem isso o abalou. Pelo contrário: aumentou ainda mais sua determinação. Ezequiel, que já praticava atletismo desde os 14 anos em cima de uma cadeira de rodas, passou a jogar basquete e a competir em várias provas destinadas a cadeirantes.
A partir de então se tornou figura conhecida em maratonas, meias-maratonas e provas de pista disputadas no Brasil e no exterior. Já disputou uma edição dos Jogos Pan-Americanos (em Mar del Plata, na Argentina, em 95), três maratonas no Japão e uma na Suíça. Tudo isso, porém, não foi suficiente para garantir-lhe um patrocinador que pudesse bancar as suas viagens e despesas nas competições.
Para conseguir apoio, ele vem enfrentando desafios com o objetivo de chamar a atenção de empresários e da população. O desafio da vez é cumprir o percurso de Londrina a Curitiba (390 quilômetros), em quatro dias, em cima de sua cadeira de rodas, especial para corrida. Ele parte hoje cedo do Centro de Londrina, viajará o dia todo pela PR-445, depois toma a BR-376 com destino a Ponta Grossa e pretende chegar à capital no domingo à noite.
''Como a meta é chamar a atenção da mídia para conseguir patrocínio, pretendo registrar a prova no Guiness (livro dos recordes). Mas o objetivo principal é ganhar um suporte que me permita treinar forte e com bom equipamento para ir à Paraolimpíada de Pequim em 2008'', afirmou.
A viagem do atleta a Curitiba já será uma aventura. Hoje ele percorre 95 quilômetros até Mauá da Serra. Amanhã serão mais 80 até Imbaú. No sábado, pretende rodar 103 quilômetros até Ponta Grossa e, no domingo, os 102 quilômetros que restarão até Curitiba. ''Parece loucura, mas estou preparado fisicamente e terei o apoio de um carro que irá atrás para me dar segurança na rodovia, senão o risco de atropelamento é grande. Também terá um policial rodoviários com uma moto que irá na frente com batedor'', informou.

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