O jogo-treino que deveria acontecer ontem entre o Londrina e Nacional, no Estádio Erick George, em Rolândia, não aconteceu. Foi uma frustração para os cerca de 500 torcedores que pagaram R$ 1,00. O motivo do cancelamento foi simplório: divergência no tempo que deveria durar a apresentação. O que era para ser apenas um teste entre duas equipes profissionais sérias virou ‘‘caso de estado’’, digno de entrar para o folclore do futebol.
O Londrina – que surgiu inspirado no próprio Nacional, em 1956 – chegou ao Erick George às 15 horas. O técnico Valter Ferreira queria que o treino durasse 35 minutos cada tempo, já que a equipe havia treinado de manhã. O técnico do Nacional, Waldir Peres, não aceitou, dizendo que o jogo teria no mínimo 40 minutos cada tempo. Houve um impasse e, pelo jeito, nenhuma boa vontade das partes para se chegar a um acordo. ‘‘Foram eles que pediram para fazer o jogo-treino, aí chegaram aqui e quiseram impor o tempo de duração’’, disse contrariado o presidente do Nacional, Cícero Afonso.
‘‘Nossa equipe estava pronta para jogar. Queríamos 40 minutos. Se eles não queriam jogar, então por que vieram? Foram eles que marcaram. Não somos nós que precisamos de teste, estamos treinando desde fevereiro’’, comentou Waldir Peres.
Já o diretor do Londrina, Roberto Campi, disse que ‘‘eles foram muito radicais’’. ‘‘Olha, treino não tem juiz, bandeirinha. O árbitro é o auxiliar técnico que apita de comum acordo. Nós não fomos lá para disputar três pontos. Eles queriam 45 por 45 minutos, armaram clima de jogo, por isso não aceitamos, para preservar nossos jogadores. Talvez tenha sido falha nossa em não ter marcado o treino com o Nacional para o Estádio Vitorino Gonçalves Dias ’’, avaliou Campi.
Que houve falha não há dúvida. Faltou diálogo quando o jogo-treino foi acertado para definir como seria o confronto. O árbitro Wilson Camargo, da liga de futebol de Jaguapitã, convocado para a partida, pronto para entrar em campo, tentava manter o bom humor. ‘‘Se fosse oficial ia colocar na súmula que o Londrina perdeu por W x 0’’.
‘‘Armaram o circo e nós fomos os palhaços’’, disse o torcedor André Soares da Silva, irritado com o cancelamento do confronto. ‘‘Isso é uma palhaçada. Sempre fui a Londrina ver os jogos do Tubarão. Vim aqui para conhecer os novos jogadores. Houve falta de respeito com a torcida. No mínimo o Londrina ficou com medo de enfrentar o Nacional’’, disse o torcedor Miguel Viana. ‘‘Será que eles estavam tão despreparados assim que não aguentam correr 45 minutos? Sou torcedor do Londrina e do Nacional, mas estou ficando com raiva do Londrina’’, comentou o aposentado Irai Alves da Silva.
O imbróglio também provocou a reação do presidente do Conselho Deliberativo do Londrina, Antônio Amaral, e do ex-coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto. ‘‘Lamentamos o ocorrido e pedimos desculpas para a torcida do Nacional, que também torce pelo Londrina. Faltou jogo de cintura para resolver a questão. Esperamos que esse tipo de episódio não volte a acontecer’’, disse Guergoletto.

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