40 anos de microfone, emoções e muitos gols
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de julho de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A garganta já não é a mesma, mas ele não pretende parar tão cedo. Já são mais de 40 anos gritando gols nos microfones do Paraná e mesmo com a aposentadoria no papel, o radialista José Mateus de Lima, o J. Mateus, 58 anos, pretende narrar ''até quando ainda tiver voz''.
Quando começou a carreira em 64, na Rádio Arapongas, ele nem imaginava o que o futuro lhe reservava. De lá pra cá, passou por muitas emissoras e até teve uma experiência na tevê, mas foi na Paiquerê AM que viu a carreira decolar e foi onde viveu os grandes momentos.
Foi pela rádio londrinense que conheceu o mundo passou por mais de 30 países. Foram sete edições da Copa América, quatro Copas do Mundo, uma Olímpiada e muitos amistosos da seleção brasileira. Mesmo com um currículo desse ele ainda não se sente realizado. ''Ainda falta uma Copa pra cumprir minha meta'', contou Mateus. ''Transmitir uma Copa do Mundo, uma Olimpíada, é o ponto máximo que você pode atingir. Tudo do melhor está ali''.
Em tantas viagens, viveu momentos curiosos e emocionantes. ''Pelo lado religioso, uma viagem que me marcou foi para Israel. Ver os locais onde Jesus passou foi muita emoção'', lembrou. De passagem por Portugal, narrou a inauguração da praça Cidade de Londrina, em Guimarães.
''Outra coisa engraçada aconteceu em 1990. Num domingo narrei a final da Copa do Mundo, entre Argentina e Alemanha, em Roma. No outro domingo, narrei um amistoso do Londrina contra uma seleção amadora de Colorado (85 km ao norte de Maringá), de dentro do carro porque chovia e o estádio não tinha cabine de imprensa'', rememorou.
Nem mesmo a dificuldade para caminhar Mateus sofreu uma paralisia infantil quando ainda era bebê o prejudicou na profissão. Os obstáculos nos estádios não o impediram de transmitir nenhuma partida. Em Guayaquil, no Equador, teve que enfrentar 154 degraus até chegar à cabine em que narraria um partida entre a seleção local e o Brasil. ''É só chegar mais cedo ao estádio'', brincou o narrador.
Imagianção Não foi nenhuma Copa, muito menos a Olimpíada de Atlanta em 96, que marcou a carreira do radialista. ''O jogo entre Brasil e Suécia, em Estocolmo, em comemoração aos 30 anos do primeiro título mundial da seleção me emocionou demais'', revelou Mateus. ''Eu tinha 11 anos e morava no sítio. Ouvi toda a Copa de 58 pelo rádio e ficava narrando junto com o locutor, me imaginando lá em Estocolmo. Depois de 30 anos eu estava lá, no mesmo estádio e narrando de verdade o jogo. Foi demais''.
As coberturas internacionais renderam muito mais que boas histórias, fotos e lembranças. ''Convivo com grandes jornalistas do Brasil e de outras partes do mundo, o que possibilita esse intercâmbio, troca de experiência. Fiz muitos amigos. Tem um jornalista nigeriano, por exemplo, que a cada quatro anos o encontro, nas Copas, e ele faz uma festa danada. Também desenvolvi muito a minha cultura, os idiomas. É um crescimento em tudo'', comemorou Mateus.


