No dia 27 de julho, em partida válida pela Série B do Campeonato Brasileiro, integrantes da Mancha Alviverde e da TUP, as duas maiores torcidas organizadas do Palmeiras, entraram em confronto no estádio Dário Leite, em Guaratinguetá, pouco antes do empate por 1 a 1 com o time da cidade. A confusão fez com que o Verdão fosse a julgamento e, após ser absolvido em primeira instância, o clube foi condenado a mandar dois jogos fora de São Paulo.
Ontem, menos de três meses depois, torcedores do São Paulo entraram em conflito com a Polícia Militar quando tentaram se aproximar do setor destinado à torcida adversária no intervalo do jogo contra o Corinthians, que terminou empatado por 0 a 0. Em Minas Gerais, problema semelhante foi visto. Cerca de 30 torcedores foram presos na manhã de ontem, antes da vitória do Atlético-MG por 1 a 0 sobre o Cruzeiro.
As punições no âmbito esportivo têm - ou deveriam ter - como objetivo educar os infratores. A grande quantidade de câmeras e os julgamentos severos fizeram cair consideravelmente, por exemplo, a quantidade de agressões longe da bola.
Mas é difícil educar o infrator quando não é ele o punido. O Corinthians, envolvido no clássico de ontem, por exemplo, teve de transferir quatro de seus jogos para fora da capital paulista por conta de confronto de torcedores com vascaínos em Brasília, na 16ª rodada do torneio.
E o que aconteceu com os torcedores brigões? Nada. Certamente parte deles foi a Mogi Mirim ver os jogos contra Bahia e Atlético-PR. Assim como parte dos corintianos detidos em Oruro no começo do ano foram flagrados brigando com vascaínos.
Violência de torcidas não é um problema esportivo - embora os infratores estejam lá, uniformizados com as cores dos clubes do coração. Os brigões devem ser punidos de acordo com os crimes que cometem. Restringir as penas aos clubes é ignorar a fonte do problema.
Enquanto os agressores continuarem impunes, problemas como esses voltarão a acontecer em clássicos, manchando o espetáculo.

Imagem ilustrativa da imagem 28ª RODADA - ATÉ QUANDO?
| Foto: MIGUEL SCHINCARIOL
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