2011: ano decisivo para quem mira Londres
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Amanda Romanelli<br> Bruno Lousada<br> Valéria Zukeran<br> Agênci 
São Paulo - ''O Mundial é a grande competição antes da Olimpíada. É lá que vou ter noção de quem está bem''. O campeão olímpico Cesar Cielo já avisa qual é a sua prioridade para a temporada que se aproxima: o Mundial de Natação, em Xangai, no mês de julho. Assim como o nadador, atletas de várias modalidades sabem que 2011, ano prévio aos Jogos Olímpicos, é decisivo para suas pretensões em Londres.
Depois de um 2010 morno, propício para mudanças de rumo e ajustes de preparação, o calendário do próximo ano é repleto de competições desafiadoras e decisivas - grande parte delas garante a classificação para a Olimpíada londrina, que será disputada entre 27 de julho e 12 de agosto de 2012.
''O grande desafio (do ano) é ir bem no Sul-Americano, que classifica para a Copa do Mundo, que dá vaga para a Olimpíada'', informou o técnico Bernardinho, que este ano foi tricampeão mundial com a seleção masculina de vôlei. Da mesma maneira que Bernardinho, José Roberto Guimarães aposta tudo nesses dois torneios. Ambos os treinadores querem garantir a vaga olímpica com antecedência e já avisaram: os Jogos Pan-Americanos ficarão em segundo plano.
É uma situação totalmente contrária a 2007. Há quatro anos, a competição do Rio foi superestimada devido ao ''fator casa'' - era necessário que o anfitrião fizesse um bom papel. Desta vez, os Jogos Pan-Americanos terão importância minimizada, exceto para aqueles esportes em que é possível conquistar a classificação olímpica. Esse é o caso do handebol, nado sincronizado, polo aquático, saltos ornamentais e canoagem, entre outros. Para outras modalidades, como natação e atletismo, é só mais uma entre várias chances de atingir os índices exigidos para Londres. Em outros, como judô e esgrima, vale pontuação para o ranking mundial.
Além de a disputa ter perdido importância nos últimos anos - os EUA usam a competição como teste e nunca levam seus principais atletas -, o Pan de Guadalajara aponta uma dificuldade adicional: com o início marcado para meados de outubro, está mal posicionado no calendário internacional.
Ginástica artística
Um problema para a ginástica artística, por exemplo. O Mundial do Japão, que servirá como Pré-Olímpico e definirá o número de vagas para cada delegação em Londres, será realizado entre 8 e 16 de outubro - estará, portanto, em andamento quando o Pan começar, no dia 13. O Brasil tem esperanças de contar com força total nesta competição, já que Diego Hypolito deve estar apto a competir, após uma operação no tornozelo esquerdo, assim como Daiane dos Santos, que cumpriu suspensão por doping.
Atletismo
O atletismo deve dividir seus competidores em dois grupos: aqueles que irão para o Mundial de Daegu, no fim de agosto, e os que treinarão exclusivamente para Guadalajara. Principal nome do Brasil em 2010, a saltadora Fabiana Murer colocou o Pan em segundo plano. Já Maurren Maggi, campeã olímpica do salto em distância em Pequim/2008, avisou que quer conquistar o tricampeonato da sua prova no México.
Basquete
O basquete feminino também não pretende diminuir a importância do Pan, embora o time tenha uma competição muito mais decisiva em julho: o Pré-Olímpico da Colômbia. ''(O Pan) é uma competição importante para nós. Há cobrança do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) por resultados. Preciso preparar a seleção'', explica Hortência Marcari, diretora do departamento feminino da CBB. A última vez que o Brasil venceu um Pan foi em 1991, com a própria Hortência em quadra. Junto com Paula, ela comandou o País na histórica final contra Cuba, quando a medalha de ouro foi entregue por Fidel Castro.
Os homens, em situação tranquila no nível pan-americano (são tricampeões), colocam todas as suas forças na busca por um lugar em Londres. O time do técnico Rubén Magnano terá que buscar uma das duas vagas do continente em Mar del Plata, em agosto. O País não participa de uma Olimpíada desde Atlanta, em 1996.


