2001 revelou o outro lado do futebol
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2001
Agência Estado 
São Paulo - Um ano em que o futebol brasileiro teve de deixar o pedestal e se encarar no espelho. E a imagem refletida não foi nada agradável. A Seleção classificou-se de maneira vexatória para a Copa do Mundo da Ásia sob o comando de Luiz Felipe Scolari, o quarto treinador nas Eliminatórias. Mais do que despencar no ranking da Fifa, perdeu prestígio internacional. Depois de seis anos seguidos, não havia um brasileiro entre os três melhores escolhidos da Fifa.
Romário perdeu sua aura de intocável e dificilmente estará no grupo que vai à Copa. Depois de fazer as pazes e brigar novamente com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, Pelé foi acusado de desviar dinheiro do Unicef. A CPI deu uma pequena mostra de quanto podem ser corruptos os dirigentes.
Enquanto os tradicionais clubes demonstraram toda sua incompetência, o Atlético Paranaense ganhava pela primeira vez o título brasileiro derrotando o São Caetano. A crise argentina contribuiria para piorar o cenário. O endividado Flamengo não pôde disputar a final da Mercosul diante do San Lorenzo por causa do estado de sítio do país vizinho.
Mas no meio desse caos ainda houve espaço para o surgimento de um novo talento no cenário nacional: Kaká, meia do São Paulo, é prova de que não existe ano que não produza ao menos um atleta a ser admirado. Difícil é mantê-lo no País.
Na Itália, depois de dois anos de sofrimento, Ronaldinho voltou a entrar em campo pela Inter de Milão. Marcou gols, sofreu algumas contusões, mas retornou à rotina de um jogador. Deixou de ser um mero relações-públicas da Nike.
Seleção Émerson Leão, que assumiu o cargo de Vanderlei Luxemburgo, foi demitido logo após a Copa das Confederações. Ricardo Teixeira nem se dignou a falar com ele. Mandou o coordenador Antônio Lopes despachá-lo no vôo de volta do Japão para o Brasil. Luiz Felipe Scolari aceitou o cargo que havia recusado antes de Leão acreditar que chegaria ao Mundial.
Com Scolari, a Seleção passou pelo vexame de ser eliminada por Honduras na Copa América. Depois perdeu para Uruguai, Argentina e Bolívia nas Eliminatórias. Mas fez a obrigação e se classificou para a Copa ganhando de Paraguai, Chile e Venezuela com o time atuando no Brasil.
Pelé Atendendo a pedidos do ministro do Esporte Carlos Melles, fez as pazes com Ricardo Teixeira para que fosse elaborado um calendário ''mais racional'' para o futebol brasileiro. Depois disse que se arrependeu e rompeu novamente. Só que internacionalmente a acusação de desvio de US$ 700 mil do Unicef da Argentina abalou sua imagem. Pelé terminou uma sociedade de anos com Hélio Viana e o acusou da negociata com o dinheiro do Unicef.
CPI Durante todo o ano, a Câmara e o Senado expuseram um pouco da sordidez do futebol do País. Denúncias de evasão de renda para o Exterior, sonegação de Imposto de Renda, falsidade ideológica. Ricardo Teixeira foi o mais acusado. Mas o presidente do Vasco, Eurico Miranda, e o do Flamengo, Edmundo Santos Silva, mais o treinador Vanderlei Luxemburgo e outros deverão se explicar no Ministério Público.
Atlético Paranaense Com a incompetência dos dirigentes dos clubes tradicionais do eixo-Rio-São Paulo, o caminho ficou aberto para o Atlético Paranense de Geninho. Com futebol moderno, sem estrelas, mas privilegiando a força física e o esquema europeu 3-5-2, o time paranaense se impôs na final do Brasileiro.


