2000 marca mudanças e uso de dois rankings
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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
São Paulo, 05 (AE) - O ano de 2000 vai marcar uma série de mudanças no tênis, como nunca aconteceu na história do esporte. Serão usados dois rankings e praticamente todo o investimento estará direcionado para o grupo dos 50 melhores jogadores. A Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) oficializou para seus membros - os jogadores - as alterações já aprovadas e que irão vigorar a partir de 1.º de janeiro e vai anunciar a nova regulamentação para todo o resto da mídia na Copa do Mundo, no final do mês, em Hannover, novidades do circuito que a Agência Estado antecipa.
Entre tantas mudanças estudadas e propostas, o ranking mereceu maior atenção. Só que pouco muda, além da instituição de dois rankings - um sistema que já vinha sendo usado informalmente - . Continuará, portanto, a classificação pelas 52 semanas (utilizada atualmente), com uma fórmula complexa (defesa de pontos, médias, melhores resultados...), mas bastante justa. Criou-se então a alternativa da corrida, bem mais fácil de se entender, sem confusões e interessante para o público. Afinal, apenas soma-se os pontos conquistados por cada jogador a partir do dia 1.º de janeiro, como, por exemplo, na Fórmula 1. Um detalhe importante: para a corrida só vale a pontuação em torneios grandes, como os Grand Slam, os Super 9 e ATP Tours.
Challengers (com premiação até US$ 120 mil), Satélites e Futures, categorias menores de competições e que servem para os jogadores alcançarem a elite serão computados apenas para o ranking de 52 semanas.
A grande dúvida: o número 1 do mundo continuará sendo àquele tenista que liderar o ranking de 52 semanas. Esta classificação também definirá o mais importante: quem entra direto nos torneios e quem sai como cabeça-de-chave. A corrida serve como uma atração a mais, promoção e pretende explorar as estrelas do circuito, criando uma concorrência, uma rivalidade.
Importante: no final do ano, tanto o ranking de 52 semanas, como o de corrida serão idênticos. Para isso, foi eliminado o bonus point, àqueles pontos que os tenistas recebem por derrotar adversários mais bem colocados. Até agora, o número 1 do mundo, dá de bônus para quem vencê-lo 50 pontos. Isso vai acabar. Outra mudança técnica necessária para dar equivalência às duas listas será a aumento do "best 14", ou seja, os 14 melhores resultados, para 18. Em 2000 será feita esta transição gradativa e até 2001 prevalecerá então o total de 18 melhores campanhas para cada jogador.
Estrela brilha - Os 50 primeiros do ranking de 52 semanas, e que consequentemente no final da temporada serão também os líderes na corrida, serão obrigados em 2000 a participar de todas as grandes competições. A ATP quer as estrelas, sem exceção, nos torneios do Super 9. Quem deixar de participar destes eventos será punido, com zero pontos.
Com isso, o calendário das grandes estrelas está comprometido. São obrigados a jogar todos os Super 9, e, obviamente, os quatro Grand Slams. Assim, já somariam 17 semanas. Sem contar ainda os jogos de Copa Davis. Os principais jogadores costumam disputar na temporada aproximadamente 20 semanas. Vai sobrar muito pouco para torneios menores.
A compensação virá com a criação do bônus pool. Durante toda a temporada os 50 primeiros nesta corrida por pontos irão acumulando prêmios e no final do ano recebem uma bonificação que irá variar de US$ 1,75 milhão a US$ 20 mil. Mas há exigências severas. Haverá uma redução de 1/3 do bônus para cada Super 9 que o jogador deixar de participar.
Intervalo - Outra novidade, já anunciada e oficializada, é que ao final de cada set, independente da soma dos games ser ímpar ou par, haverá um intervalo de dois minutos. Esta decisão vai proporcionar maior conforto para o público, dará aos jogadores um tempo maior para recolocar seu foco na partida e também permitirá às transmissões por tevê um espaço necessário para comentários e conclusões ao final de cada série. Se, no entanto, o set terminar com a soma par de games, os jogadores retornarão ao mesmo lado da quadra ao passar-se dois minutos.
A vida disciplinar dos tenistas estará também mais branda. O novo código de conduta dá três estágios, com primeiro uma advertência, depois punição de um ponto e vindo sucessivamente a perda de games.
Isso vai evitar que um tenista tenha de ser desqualificado em caso de três pequenas violações. Mas, nos casos graves, será mantida a eliminação imediata.
São muitos os detalhes técnicos que irão marcar o ano 2000 do tênis.
Mas os jogadores em votação não aprovaram mudanças significativas, como a sugerida pela Federação Internacional de Tênis (ITF). A entidade queria testar bolas 10% maiores para superfícies rápidas como grama e carpete em ginásio, garantindo que a sensibilidade da bola seria a mesma. Como resposta a ITF recebeu um sim de apenas 32% dos tenistas e a reprovação de 62%. Portanto, nem bolinha, nem saque na rede, nem o fim do segundo serviço surgirão em 2000.


