'2º turno' da Stock segue padrão da eleição presidencial
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quarta-feira, 06 de outubro de 2010
Reportagem Local 
Como na política, é época de segundo turno também na Stock Car. Se nas eleições presidenciais a história mostra que os candidatos que fecharam a primeira fase na frente confirmaram a vitória quando todos os votos foram totalizados desde 1989, ano de reintrodução das eleições livres em todos os níveis no País, na principal categoria do automobilismo brasileiro uma única exceção confirmou a mesma regra. A partir de 2006, início do atual sistema de playoffs decisivos, apenas Marcos Gomes foi ultrapassado na reta final por Ricardo Mauricio, seu então companheiro na Equipe Medley.
Por uma ironia do destino e dos deuses das pistas, o formato de superfinais entrou em vigor depois da mais emocionante decisão de título em mais de 30 anos de existência da Stock Car. Em 2005, Cacá Bueno liderou o campeonato desde a abertura da temporada, mas perdeu fôlego nas últimas etapas depois de abrir 55 pontos sobre Giuliano Losacco quando restavam apenas quatro provas. Antes da 12 e última corrida, a vantagem de Cacá era de apenas um ponto. Numa sessão classificatória individual e de alta voltagem, em que as condições climáticas variáveis em Interlagos tornaram a definição da pole ainda mais nervosa, Losacco foi o penúltimo a entrar no circuito, cravou a volta mais rápida e dos boxes acompanhou o drama de Cacá, que fechou o qualifying e ficou em segundo no grid por escassos cinco milésimos.
Na prova, preocupado unicamente em se manter à frente de Cacá e assim garantir o bicampeonato, Losacco resistiu à forte pressão de adversário ao longo das 26 voltas e cruzou a linha de chegada em terceiro, por uma diferença de somente quatro décimos de segundo sobre o vice-campeão. Com os 16 pontos conquistados contra 14 do grande rival, Losacco conservou o título pela diferença mínima. Algo talvez inédito na história do automobilismo mundial, a liderança de Losacco durante as 12 etapas do calendário não chegou, portanto, a meio segundo.
O troco de Cacá viria nos dois anos seguintes, embora em 2006 o tri só não tivesse parado nas mãos de Losacco por causa de uma quebra de câmbio na prova derradeira em Interlagos quando as posições de pista naquele momento lhe asseguravam a conquista. Já com o atual formato e playoffs, Cacá comandou a fase seletiva em ambas as temporadas. Em 2008, no entanto, Ricardo Maurício alcançou seu único título até agora depois de fechar as seletivas em segundo lugar. Como consolo, o vice-campeão Marcos Gomes tornou-se o recordista em números absolutos de pontos somados numa mesma temporada. No ano passado, Cacá recuperou o troféu de campeão - seu terceiro - depois de iniciar os playoffs na ponta da tabela.


