No dia do acidente que tirou a vida de Ayrton Senna - 1º de maio de 1994 -, Waldemir de Oliveira já não trabalhava mais para o piloto. Na época, ele era o comandante do jato do então governador de São Paulo, Mario Covas. No momento do enterro, o londrinense estava em sua casa, na capital paulista e, como todo brasileiro, não conseguia conter a emoção. ''Chorei muito. Não consegui ir ao velório, era muita gente, a cidade de São Paulo parou'', lembra.
Além de manter a triste lembrança que aflora também na memória de todos que adoravam Senna, Waldemir carrega no corpo uma marca do exato momento da despedida do piloto. ''Da minha casa eu conseguia ver as acrobacias que a Esquadrilha da Fumaça fazia durante o enterro. Eu assistia um pouco pela TV e saía para fora de casa e subia no telhado para ver as acrobacias. Exatamente na hora em que o caixão descia, a Esquadrilha fazia o formato de um coração. Subi novamente no telhado para ver. Quando fui descer, a telha quebrou e acabei cortando a minha canela. Foi um ferimento grave. Fui para o hospital e acabei de acompanhar a cobertura desse triste fato na maca. Minha cicatriz, acredite, é em formato da letra V''.
Dono de um arsenal de fotos da intimidade do piloto - são seis álbuns abarrotados de registros nos mais diferentes lugares e momentos - foi aos 16 anos que Oliveira começou a pilotar, mas desde muito pequeno já voava no colo de seu pai. Filho, sobrinho e tio de piloto, há seis anos está aposentado. Hoje, aos 63 anos e a exemplo do que fazia no passado, continua conduzindo a velocidade com mãos de ferro, só que agora na Fórmula Speed e tendo o esporte como hobby. ''Cada ano que passei na aviação valeu muito a pena, principalmente os anos ao lado de uma pessoa que era meu ídolo. Faria tudo de novo. Mas hoje o que quero mesmo e curtir o sossego da minha chácara e o meu hobby'', finaliza.

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