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quarta-feira, 01 de agosto de 2001
Andrés Baró<BR>De Valle Nevado, Chile 
Na última semana na estação de esqui chilena de Valle Nevado, São Pedro vestiu-se de verde amarelo: céu limpo e sol forte acompanharam os três dias de competições do 7º Campeonato Brasileiro de Snowboard. Com previsões extremamente negativas imagine, até os locais chilenos preocupavam-se por uma temporada sem neve o inverno surpreende: uma semana antes da competição uma frente fria cobriu a cordilheira de neve virgem. A passagem terrestre na fronteira Argentina-Chile ficou bloqueada. Carros e ônibus carregados de competidores, de países vizinhos, foram obrigados a desviar-se para o sul. Demoraram mais 22 horas até chegar a Santiago... O surfista paulista Felipe Magalhães conta: Apesar da viagem cansativa, a economia rende momentos insanos no surf da montanha.
Felizmente, nos dias que antecederam a competição o tempo firmou, presenteando os atletas com excelentes condições para os treinos. Com as pranchinhas fixadas aos pés, os snowboarders sobem as ladeiras através dos chamados lifts, cadeiras que transportam de duas a quatro pessoas para o topo das pistas mais radicais: Aí é só alegria! Velocidade e adrenalina nas descidas. Curvas para os dois lados aliviam a corrida alucinante e proporcionam estabilidade à prancha, que derrapa e rasga a neve, rugindo gostosamente no silêncio da montanha branca...
Dois eventos paralelos
Ao todo foram 45 competidores brasileiros em disputa pelo evento nacional e mais de 20 atletas, entre estrangeiros e chilenos, competindo pela segunda das três etapas do Circuito Sul Americano FIS Continental Cup. Em três dias, as duas competições foram simultâneas, nas modalidades: Boarder Cross, Slalom Gigante e Half Pipe. Cada etapa do circuito vale como campeonato nacional de um país: na primeira perna em Chapelco, Argentina, que rolou entre os dias 11 a 13 de julho, definiram-se os campeões argentinos; na terceira, marcada para fim de agosto em Pucón, sul do Chile, sai o melhor chileno.
Em todas as etapas europeus e americanos (dos dois hemisférios) elevam o nível das competições às alturas! Os saltos acrobáticos dos franceses e chilenos na pista de half pipe, rampa em u, similar a do skate, arrancou gritos e aplausos do público presente. Back Flips (mortais para trás), Mc Twist (combinação de 360 e mortal), Grabs Rails (manobras com a mão na prancha) desafiaram a lei da gravidade nos 4,5 metros de parede curva do pipe. Um dos favoritos, o francês Brice Leguennec, que havia impressionado a todos nos dois dias-treino anteriores, não conseguiu completar as manobras nas suas duas apresentações, ficando em sétimo lugar. Os chilenos dominaram a prova, ocupando as três primeiras posições, sagrando-se campeão o local Franz Baher. No feminino as suecas Janet Jonsson e Anna Olofsson ocuparam as duas primeiras colocações, respectivamente. A carioca Isabel Clark, em sua primeira experiência nesta modalidade, ficou em terceiro no evento FIS e em primeiro no Brasileiro. Entre os conterrâneos, os paulistas Gustavo Veiga e Felipe Motta faturaram o caneco em suas categorias; agressivos mostraram fina intimidade com a radical rampa. Foi a primeira competição em território sul-americano que contou com a novidade do Half Pipe, rampa caprichosamente construída pelo sueco David Ny, responsável pela modalidade nos próximos jogos de inverno em Salt Lake City (EUA), 2002.
Slalom Gigante
Chega a vez da finalíssima do Slalom Gigante FIS, categoria feminino. No topo da íngreme ladeira, de 425 metros, a carioca Isabel Clark e a húngara Laura Lovasz preparam-se para encarar o ziguezague das bandeiras espalhadas pela pista, desta vez as azuis para a húngara e as vermelhas para a brasileira as atletas se atiram em duas apresentações experimentando os dois trajetos demarcados pelas bandeiras. Com a torcida a favor, a brasileira ganha confiança e sorte: Lovasz comete um erro numa da balizas e perde preciosos segundos. Vitória para Isabel!
No masculino, mais um brazuca chega às finais do campeonato principal: o paulista Ricardo Moruzzi encara o experiente suíço Guillaume Nantermod, que faturara no dia anterior o boarder cross. Nas duas apresentações, os dois venceram uma. Mas no desempate, na diferença de tempo, o suíço levou a melhor, confirmando o seu favoritismo. De qualquer forma, foi um excelente resultado para o Brasil, que luta pela sua primeira participação nos Jogos de Inverno. O nível de nossos atletas cresce a cada ano. É comum ver os chilenos admirados com as performances dos brasileiros nas pistas, já que no nosso país não neva e não há como treinar. Além dos inúmeros esportes de prancha praticados em diferentes terrenos no Brasil, nossos snowboarders começam a receber apoio e patrocínio de empresas que os mandam de um hemisfério ao outro em busca da bendita neve. Isabel não sabe o que é verão há quatro anos... e participa de campeonatos na América do Norte e na Europa.
A adrenalina do Boarder Cross
O dia mais competitivo e dinâmico de todo o campeonato foi, sem dúvida, o do boarder cross. Numa pista que lembra muito as de motocross, com rampas de diferentes formas e curvas fechadas, baterias de quatro competidores se mandavam ladeira abaixo numa corrida louca e acirrada. Empurrões e tombos espetaculares foram constantes. Felipe Motta, campeão da modalidade Big Air (salto combinado com uma manobra) do ano passado experimentou e definiu a pista como de alto nível técnico. O que mais impressionou o público, esquiadores que paravam para apreciar a competição, foram os incríveis vôos nas rampas, verdadeiros saltos à distância. O grande vencedor foi o suíço Guillaume Nantermod, seguido de perto pelo francês Sylvain Duclos, o chileno Pablo Audicio e o espanhol Jordi Font. O melhor brasileiro foi Ricardo Moruzzi que terminou em décimo. Entre as meninas, Isabel conseguiu a terceira colocação, ficando atrás da sueca Anna Olofsson e da Argentina Carolina Galeano.
Destaque para os paranaenses Gabriela Moro, de Ponta Grossa, que levou a melhor no Brasileiro, em sua segunda temporada com a pranchinha nos pés... A experiente Isabel Clark a denominou como uma atleta com muito estilo e agressividade. Benedito Neto, de Curitiba, ficou em nono lugar, por pouco ficou fora das semifinais: Para quem vinha só para passar mais uma temporada nas estações de esqui chilenas, o resultado foi surpreendente!, enfatiza nosso snowboarder, que garante que não perde mais um campeonato na neve.


