a estréia do brasileiro Rubens Barrichello na Ferrari. Rubinho, primeiro piloto brasileiro a competir oficialmente pela equipe italiana, que há 20 anos não vence o mundial de F-1, começa seu período de treinamentos. Rubinho prepara-se para 1.º teste em Fiorano Por Livio Oricchio
Bolonha, 30 (AE) - Quando Rubens Barrichello elevar os giros do motor da Ferrari, amanhã, às 9h30, para entrar na pista de Fiorano e iniciar uma nova fase da sua carreira, agora numa equipe de ponta da Fórmula 1, milhões de brasileiros estarão sentados a seu lado. O país está sensível a alguém que faça sucesso nessa competição que tanto já esteve presente na vida da nação, registrando momentos de grande alegria com outros de dor profunda.
Das 13 horas até as 20 horas de hoje, Rubinho percorreu sozinho, a maior parte do tempo, os vários edifícios da fábrica da equipe em Maranello. "Assim eu aprendo mais fácil", disse. Depois experimentou o banco, a posição no cockpit do modelo F-399 e constatou que todas as suas solicitações foram atendidas. "É impressionante a atenção que eles me dedicam", afimou. Até as luzes de sinalização das várias funções do carro, instaladas no volante, estavam como ele gosta.
Quem mais conversou com o piloto foi o diretor-técnico da Ferrari, o inglês Ross Brawn. "Ele pediu para não me preocupar em mostrar minha velocidade no teste." Brawn usou a expressão "o circuito de Fiorano é de lua", o que significa que quando não se espera que esteja veloz, os pilotos obtém bons tempos; enquanto em outras ocasiões torna-se lento, sem explicação aparente. "Brawn quis saber detalhes de como guio, bem como falou das reações do modelo F-399."
Lembranças - Apenas três voltas na pista de Fiorano com uma Masserati de série, encheram de orgulho Rubinho. "De repente lembrei-me daquele menino vendo os carros da Ferrari passar na reta de Interlagos." Mas apesar da emoção do sonho realizado, Rubinho disse estar impressionado como o seu lado profissional cresceu. "Consigo administrar bem tudo isso, não creio que irá interferir no trabalho."
O traçado de Fiorano é simples, comentou. "Há duas curvas um pouco mais rápidas, ao passo que as demais são lentas." Uma das suas dúvidas com relação ao teste é saber se conseguirá frear com o pé direito. "No simulado que fiz hoje, com o carro parado
meu pé batia na coluna de direção, apesar de eles terem baixado o assoalho do cockpit." Outra preocupação é com o estado do circuito. "Está liso e há ainda muita neve ao lado do asfalto; terei de ser bastante cuidadoso."
Cláudio Berro, assessor da Ferrari, programou um encontro com a imprensa amanhã, ao meio-dia, na pista. É grande o número de jornalistas italianos que irá acompanhar o primeiro teste de Rubinho na Ferrari. A temperatura hoje, em Maranello, variou de 2 graus pela manhã e no início da noite e chegou a 8 graus logo depois do almoço.
O treino prossegue até sexta-feira. Depois disso Rubinho treina entre os dias 13 e 16 em Jerez de la Frontera, na Espanha
aí sim confrontando os seus tempos com os dos pilotos das equipes adversárias.

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