diz. Ao contrário de Scherer, Borges tem treinado a largada, pois costuma ter de recuperar-se durante as provas, por sair atrás dos adversários. Os nadadores estão no Brasil para a disputa da Copa do Mundo de Natação, que ocorre nesse fim de semana, e o Troféu José Finkel, válido como Campeonato Brasileiro de Inverno - que será em dezembro. Para Scherer as duas competições são apenas mais uma etapa de sua preparação. "O treinamento é em etapas e só vou atingir o meu auge na Olimpíada", conta. Borges acredita que as competições são uma forma de quebrar a monotonia dos treinos. "A minha preparação tem como objetivo nadar bem no José Finkel."Por Rodrigo Mattos Rio de Janeiro, 26 (AE) - A dez meses da Olimpíada de Sydney, os dois principais nadadores brasileiros vivem momentos diferentes em suas carreiras. Enquanto Fernando Scherer, o Xuxa, está em franca ascensão, Gustavo Borges tenta recuperar a forma e o prestígio. Depois de ganhar quatro medalhas de ouro no Pan-Americano de Winnipeg, Scherer está entre os quatro melhores nadadores nos 100 metros livres, prova que é sua especialidade, segundo o ranking da Federação Internacional de Natação (Fina). No mesmo ranking, Borges não figura nem entre os dez primeiros. A importância desse ranking deve-se à decisão dos dois nadadores de priorizar os 100 metros livres em seus treinamentos. "Os nadadores que se preparam para os 50m livres ficam limitados a essa prova", diz Scherer, explicando que, com a sua escolha, nadará bem os 50m também. Borges conta que desistiu dos 200 metros livres porque as semifinais da prova poderiam coincidir com as eliminatórias dos 100m. Eles apontam os mesmos nadadores como principais adversários em Sydney: o australiano Micheal Klim, o holandês Peter Van Hooendrand e o russo Alexander Popov, que ocupam as três primeiras posições no ranking da Fina. Scherer demonstra mais confiança em um bom resultado. "A minha luta é contra o relógio", afirma. Embora não possa ser incluído entre os favoritos no momento, Borges garante que ainda tem tempo para reverter o quadro desfavorável. "Sou um medalhista olímpico e não estou entre os dez melhores, mas posso mudar isso", diz. Otimista, ele acredita na conquista de uma medalha. Para atingir o sonho de ganhar o primeiro ouro da natação brasileira em uma Olimpíada, os dois preparam-se nos Estados Unidos. Em Coral Springs, Scherer nada 12 mil metros por dia sob a supervisão do técnico alemão, Micheal Lohberg. Acompanhado pelo treinador norte-americano Joe Goeken, Borges nada 10 mil metros por dia na cidade de Jacksonville. Os técnicos estrangeiros estão fazendo com que os brasileiros executem treinamentos que desenvolvam seus pontos fracos. Com a ajuda de Lohberg, Scherer vem tentando aumentar a resistência. "A minha explosão é boa, mas preciso melhorar a minha chegada"





