São Paulo, 16 (AE) - Os resultados obtidos pelo atletismo do Brasil nos Jogos Pan-Americanos e no Mundial, mais a medalha de ouro de norte-americano Johnny Gray, de 39 anos, nos 800 metros, também em Winnipeg, deram o ânimo que faltava para que Joaquim Cruz decidisse voltar a competir. Medalha de ouro nos 800 metros na Olimpíada de 1984, em Los Angeles, e prata quatro anos depois, em Seul, o corredor sonha em ser representante do Brasil nos 5 mil metros em Sydney.
"Este ano, os resultados do Brasil deram motivação e me ajudaram a tomar uma decisão que estava amadurecendo desde janeiro", afirma Joaquim, de 36 anos. "Se o Johnny conseguiu, se o Zequinha Barbosa está aí lutando para conseguir índice para ir a Sydney, por que eu também não posso?"
O corredor, que está afastado do circuito profissional há dois anos, afirma que conserva uma boa forma. "Estava trabalhando como personal trainer e na verdade estava treinando mais do que antes, só que não tinha objetivos." Na programação, Joaquim pretende participar de oito a dez provas de 10 mil e 10 de 5 mil, todas de rua, a maioria nos Estados Unidos. "Depois vou ver como estarão meus tempos e, se for possível, vou para pista tentar o índice 3min36s80 para os 1.500 ou os 13m29 para os 5 mil."
A contusão nos dois tendões de Aquiles, que o perseguiram por anos (o corredor sofreu duas cirurgias em cada) não preocupam. "Desde 1994 e não sinto mais dores e também tenho usado formas alternativas de treinamento que só usei no fim da minha carreira, como a correr na piscina e correr na grama." Ele vai deixar San Diego para treinar em Albuquerque. "Pela primeira vez vou me preparar um lugar alto."
Para o ex-treinador de Joaquim, Luiz Alberto Oliveira, a idade, mais do que as contusões, deve ser o principal desafio do corredor. "Mas ele é um atleta de grande lastro (pode correr diversas provas) e as provas de fundo não devem perturbar as antigas contusões." Nélio Moura, treinador de Maurren Maggi e outros corredores, lembra que é comum atletas trocarem de prova ao longo da carreira, passando de provas de velocidade para de resistência.
Jaime Netto, técnico de vários atletas da seleção do Brasil, diz que outros atletas com idade mais avançada, como Donovan Bailey e Merlene Ottey, tiveram dificuldades para manter a competitividade."Joaquim é um talento, mas será um grande desafio", disse o técnico, que acredita na possibidade do corredor disputar os 1.500 metros em Sydney.





