São Paulo, 17 (AE) - Depois do ex-presidente da Fifa, João Havelange, agora é Pelé quem acha que o Brasil deveria sair da disputa pelo direito de ser a sede da Copa do Mundo de 2006 e lutar pela candidatura ao Mundial de 2010. Pelé acha que as chances de o Brasil vencer a disputa com Inglaterra, Alemanha e áfrica do Sul são mínimas. "Acho que não se desgastar nesta próxima eleição é uma hipótese a ser pensada com carinho", afirma.
Ele não acha viável o Brasil seguir a sugestão de Havelange e apoiar a candidatura da áfrica do Sul agora para ter apoio dos africanos no futuro. "Acho complicada essa troca de apoio", avalia. "Há alguns anos Brasil e Argentina tentaram se unir para organizar a Olimpíada de 2004 e nenhum dos dois países venceu a eleição." Pelé foi convidado a integrar a comissão Brasil-2006, mas não aceitou.
Ele nega que seja contra a realização da Copa do Mundo no País, só não concorda com a maneira como foram escolhidas as pessoas que integram a comissão. "Com essa gente eu não trabalho", diz Pelé, que tem divergências políticas com Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)
e econômicas com a empresa de marketing esportivo Klefer, que tem representantes no comitê da candidatura do Brasil. Pelé é dono da Pelé Sports e Marketing, empresa de marketing esportivo concorrente da Klefer.
Há dois dias, Pelé enviou uma carta ao presidente da CBF explicando as razões para não integrar a comissão organizadora da Copa do Mundo. Ele acha que a estrutura do futebol brasileiro está muito atrasada em relação aos países da Europa, por exemplo. "Se não nos organizarmos profissionalmente, o Brasil vai ser fora de campo o pior país do mundo", exagera Pelé. "Estamos começando muito tarde a buscar recursos para ser sede da Copa", destaca. "Não temos um caderno de encargos em condições de vencer esta eleição."
O Ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, declarou esta semana que "Pelé é o único brasileiro que é contra a realização da Copa do Mundo no País". Pelé afirma que há quatro anos, quando assumiu o cargo de Ministro Extraordinário dos Esportes, prometeu trabalhar para trazer o Mundial para o Brasil. "O povo merece ver uma Copa do Mundo ao vivo", ressalta. Ele só não concorda com o envolvimento do governo em um projeto como esse. "O governo tem de investir em outras prioridades, a Copa do Mundo deve ficar sob responsabilidade da iniciativa privada", opina Pelé.
Ele esteve hoje em São Paulo participando do lançamento de um cartão de crédito que vai arrecadar fundos para a Fundação Abrinq Pelos Direitos da Criança. No trigésimo aniversário do milésimo gol, Pelé volta a pedir atenção às crianças do Brasil. "Quando fiz aquele discurso há 30 anos me chamaram de demagogo", lembra. "Mas hoje vemos em que situação precária estão as crianças do Brasil", afirma.Por Paulo Guilherme ---------------------------------------- ATT: VERSÃO AMPLIADA ----------------------------------------

mockup