Pesquisas tem sido cada vez mais claras no sentido de relacionar melhores indicadores de saúde a prática regular de exercícios físicos, bem como na diminuição de fatores ligados ao risco de morte. Mas em vista de tantos benefícios, ainda vivemos em uma sociedade caracterizada por um baixo nível de atividade física e excessiva ingestão de gorduras. Segundo dados do IBGE e do Ministério da Saúde, 80% da população brasileira adulta não é considerada suficientemente ativa e 40% esta acima do peso ideal.
O maior índice de abandono de um estilo de vida ativo esta na passagem da infância para adolescência, período no qual a disposição natural de brincar e envolver-se em práticas corporais de forma natural vai perdendo espaço para os afazeres do cotidiano. Diante deste cenário é importantíssimo estimular crianças e adolescentes a participarem de programas de exercício já que o sedentarismo esta adquirindo status de problema de saúde pública. Neste sentido as novas abordagens da educação física escolar felizmente tem ido ''além das linhas da quadra'', tratando de temas como atividade física na promoção da saúde e dos conceitos que envolvem a ciência do exercício físico.
Mas o fato é que só damos valor para aquilo que fomos ensinados a dar, escovamos os dentes, tomamos banho, e cuidamos da aparência por que mais que hábitos de higiene alguém nos ensinou a dar valor a isso. Para alguns uma corrida de 50 minutos pode ser extremamente extenuante, para outros pode ser altamente prazeroso, depende das referências que trazemos sobre o assunto. Ora, crianças que não foram estimuladas a se exercitar, terão grande dificuldade de se tornarem adultos ativos.
Natação, capoeira, ballet, futebol, quando as crianças participam de atividades físicas, elas misturam episódios curtos de atividades intensas com atividades fáceis a moderadas, por isso, o que vale mesmo é que a criança participe de uma atividade em que ela se sinta motivada a praticar e que possa reunir estímulos às suas capacidades físicas, habilidades motoras, aos aspectos cognitivos e sociais, a fim de ampliar seu potencial criativo, seu repertório motor e principalmente que ela se mantenha ativa a longo prazo.
Trabalhar com essa cultura de movimento e tratar de hábitos de saúde que os alunos incorporem a sua vida dentro das aulas de Educação Física é tema com relevância de saúde pública. É importantíssimo que os pais também fiquem atentos à quantidade de horas que seus filhos passam diante do computador, televisão ou outras atividades sedentárias, e que os ensinem a adotar um estilo de vida ativo, para que as próximas gerações tenham uma maior qualidade de vida e um menor risco de desenvolver doenças em função do sedentarismo.
Daniel Zampieri, Professor de Educação Física

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