Devido a constante busca por soluções por parte dos pais, é perceptível entre os profissionais de educação física o aumento nos índices de obesidade infantil. Como o vídeogame, o computador e as horas a fio diante da televisão roubaram o lugar do esconde-esconde, pega-pega e de brincadeiras como pular corda nas tardes da garotada, a alternativa é procurar o auxílio de profissionais para evitar problemas no futuro.
Como consequência, ocorre um gradativo aumento na preocupação com o quadro de saúde dos jovens, pois o sedentarismo as deixa propensas a doenças como diabetes e hipertensão. Segundo o personal trainer Ricardo Marques Monson, do Studio Carpe Diem, essa tendência abre um campo fértil ao profissional de educação física na tentativa de ''projetar caminhos para contornar o problema''.
Mas na prática, Monson, que trabalha com a esposa Débora Alonso de Lima, utiliza recursos conhecidos de muitos adultos, que ainda tiveram o privilégio de brincar com outras crianças na sua infância. Eles contam que organizar encontros com os jovens frequentadores da academia em espaços abertos, como o Zerão, e apresentar brincadeiras como o 'jogo de betes' vem apresentando resultados satisfatórios. ''Muitos não conhecem metade das 'brincadeiras de criança' de outras épocas'', pontua Monson.
Outro detalhe importante que ambos apontam é o papel da família, sendo fundamental que o exemplo neste caso também esteja presente dentro de casa. Segundo Monson, o estilo sedentário de muitos jovens é herdado dos pais, que devido à corrida e extensa agenda de afazeres como trabalho e estudos, não possuem tempo para cuidar da saúde.
''Por estas razões, muitos acabam deixando a atividade física de lado, mas é importante que o exemplo esteja dentro de casa. Hábitos alimentares saudáveis são a face complementar que ajuda a ensinar a maneira correta de cuidar da saúde para as crianças'', afirma Monson.
Outro espaço importante da atividade física com vistas à manutenção da saúde no futuro é a escola. Hoje, as aulas de educação física perdem espaço para aulas mais técnicas, pois é crescente a preocupação com a formação de alunos com perfil lapidado para o mercado de trabalho, vestibular e na formação de profissionais cada vez mais qualificados.
''Como o foco da educação no Brasil tem sido preparar os estudantes para o contexto de competitividade que vive o mundo, a saúde ficou de lado. Os hábitos de vida estão cada vez mais equivocados e passíveis de problemas futuros'', ressalta Monson, lembrando que nesta lacuna entra o papel das academias que são ''resposáveis por cuidar da saúde dos jovens hoje em dia''.

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