Voluntariado: ação social que dá emprego
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domingo, 20 de junho de 2010
Kalinka Amorim<br>Reportagem Local 
Uma experiência que pode ser realizada por qualquer pessoa que queira fazer o bem sem olhar a quem pode fazer toda a diferença na hora de conseguir o primeiro emprego. Pessoas que doam parte de seu tempo em entidades assistenciais, escolas, igrejas ou em outra área prestando serviços voluntários descobrem nessas atividades uma maneira de conseguir entrar no mercado formal de trabalho.
David Willian Lopes, 21 anos, começou sua história como voluntário em 2004, com o projeto social ''Tsunami'', realizado pela Igreja Metodista Central de Londrina, em prol das vítimas do maremoto ocorrido no Sudeste Asiático no mesmo ano. Seu trabalho era fazer a seleção dos ítens doados, coletar novas doações, cuidar das entregas e do ambiente. ''O projeto durou cerca de três meses, onde eu me dediquei diariamente e após o término do projeto, passei a dedicar dois dias de minha semana nos ministérios de Diaconia e de Missões''.
Depois de alguns meses, ele foi contratado pela igreja para trabalhar como auxiliar de serviços gerais. Ele credita esse resultado ao seu empenho em dar o melhor de si durante as tarefas. ''Se eu não tivesse desempenhado o voluntariado com afinco, não teria aprendido a exercer a liderança que aprendi e poderia não ter tido meu trabalho reconhecido e conseguido o emprego'', comenta.
E mesmo com o emprego garantido, David continua. ''O retorno de dar é bem maior que o de receber. O voluntário não ganha dinheiro, ganha muito mais que isso, ganha reconhecimento, gratidão e amizades que valem para a vida toda ''.
A mesma realidade se cumpriu na vida das jovens Lucilene Errerias e Valnice Nogueira Mendes. Ambas participaram de treinamentos profissionalizantes em 2007, na Fundação Tecnológica de Londrina (Funtel). Entre as atividades propostas, havia um programa de atividades no terceiro setor, o que rendeu às duas o sonhado primeiro emprego.
Lucilene escolheu a escola Ana Molina Garcia para cumprir a prática das ações voluntárias, auxiliando os alunos nas áreas pedagógicas, de recreação e até mesmo incentivando-os à prática da leitura, na biblioteca. Sua iniciativa lhe rendeu o primeiro emprego, com o cargo de estoquista, na loja Colcci do Catuaí Shopping, onde permanece até hoje.
''Ela veste a camisa da empresa, observa prazos e dá até dica para os vendedores das peças que estão em estoque'', afirma a empresária Carla Luz, da Colcci Catuaí. Ela garante que Lucilene conseguiu o emprego por mérito próprio, mas que o trabalho voluntário que fez teve um peso muito grande. ''Ela fez o teste, a entrevista e em meio a várias candidatas se destacou. O trabalho voluntário que tinha realizado fez toda a diferença na hora da contratação. O funcionário que passa pelo processo do voluntariado tem um comportamento diferente, uma garra a mais'', afirma a empresária.
A estoquista entende que o treinamento feito no voluntariado foi fundamental para que as portas se abrissem para o tão sonhado emprego. ''Antes eu entregava os currículos e nunca obtinha respostas positivas. Sem dúvidas o empresário acaba olhando com outros olhos os jovens que passaram por um treinamento acompanhado de iniciativas sociais práticas'', afirma.
Influência que faz a diferença
Valnice Nogueira Mendes também teve a chance do primeiro emprego graças às atividades no Projeto Viva a Vida. Atualmente ela trabalha como vendedora da concessionária Sem Parar, no Shopping Catuaí, e garante que a vaga foi conseguida pelo voluntariado. ''Tive uma experiência que serviu de referência. Quando chegamos no mercado de trabalho, não temos bagagagem e o voluntariado foi a porta de entrada no mundo profissional''.
A influência da atividade foi tanta que hoje ela cursa serviço social na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O trabalho de Valdenice no Viva a Vida causou transformações que, segundo ela, a deixaram mais segura para encarar as dificuldades do mercado de trabalho. ''Foi uma lição de vida. Encontrei muitas pessoas que me estimularam e me ajudaram a externizar o potencial que tinha. Consegui ver que eu era muito mais capaz do que pensava ser. Muitas vezes a gente até acha que pode, mas quando alguém estimula é diferente''.


