Manoel Serapião Filho, autor do projeto brasileiro, durante os testes práticos do árbitro de vídeo na Suíça
Manoel Serapião Filho, autor do projeto brasileiro, durante os testes práticos do árbitro de vídeo na Suíça | Foto: CBF/Divulgação



Quem também está com os dias contados, segundo alguns estudos, são os árbitros, pelo menos os de campo. Falhas na avaliação de faltas, impedimentos e até gols motivaram o desenvolvimento de ferramentas que, acreditam alguns, podem substituir o juiz. Mas será que câmeras, chips e sensores serão capazes de organizar as confusões em campo? O presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Paraná, Airton Nardelli, acha que não. "Sem árbitro não existe partida. Em tudo o que ocorre uma disputa, precisa ter um mediador", pondera.
Segundo ele, que foi árbitro por mais de 20 anos, mesmo com um enorme número de câmeras utilizadas hoje nas partidas mais importantes, ainda ocorrem lances que geram dúvidas. "Sempre será necessária uma pessoa para interpretar o que ocorre dentro de campo. A tecnologia pode ajudar nessa tarefa, mas não cumpri-la sozinha", afirma.
E isso deve começar a ocorrer em breve. Já em 2017, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deve começar a implantação do árbitro de vídeo. A ferramenta deve ser utilizada em lances mais polêmicos, para decidir se a bola entrou ou não, se foi pênalti ou não. "Mas a decisão final será do árbitro. A tecnologia vem para complementar", reforça Nardelli.
No final do mês passado, o diretor da Escola Nacional de Árbitros de Futebol (Enaf), Manoel Serapião, autor do projeto brasileiro, foi o representante da CBF nos testes de árbitro de vídeo no International Football Association Board (Ifab), em Zurique (Suíça). Participaram das atividades 34 representantes da Fifa, do Ifab e dos 11 países que já manifestaram interesse na aplicação do árbitro de vídeo: Austrália, Brasil, Bélgica, França, Alemanha, Itália, México, Holanda, Portugal, Qatar e Estados Unidos.
Atualmente, há uma discussão mundial sobre qual modelo será aplicado. A decisão sobre a introdução definitiva do árbitro de vídeo nas regras do futebol pode ser tomada até 2019. (J.G.)

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