Uma visão otimista em um cenário econômico instável. Quando o assunto é o mercado de beleza masculino, o potencial de crescimento do setor vem animando aqueles que miram o próprio negócio.
Segundo um levantamento da Euromonitor Internacional, o ritmo de alta de 7% ao ano, deve se estender nos próximos três anos. Uma outra pesquisa, da Nielsen, revela ainda que, no ano passado, os homens foram responsáveis por 35% dos gastos dos itens de higiene e beleza no País.
Nesse compasso, a vaidade masculina pode elevar o Brasil ao posto de um dos maiores mercados de cuidados pessoais, tanto pelo consumo de produtos quanto de serviços.
E todo esse desempenho tem motivado o aumento no número de microempreendedores individuais (MEIs). Para se ter uma ideia, considerando todos os setores do segmento, Londrina registrou um crescimento de 12% no primeiro trimestre deste ano, conforme publicado pela FOLHA no mês passado.
A Prefeitura de Londrina concedeu 827 alvarás para este tipo de empreendimento, sendo 88 a mais em comparação com o mesmo período de 2015. Mas no segmento de beleza, dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam um incremento de 567% no número de MEIs, entre 2010 e 2015, passando de 72.309 para 482.455 registros.
"É importante interpretar que, com a criação da figura do microempreendedor individual (2009), houve uma corrida dessa demanda reprimida para a formalização", comenta Andrezza Torres, coordenadora nacional da Carteira de Beleza e Bem-Estar do Sebrae.
No entanto, ressalta um crescimento médio anual de 8 mil novos CNPJs ao mês para os negócios de beleza, até 2015. "Na passagem para 2016, o segmento continuou forte, mas passou para cerca de 4 mil MEIs se formalizando mensalmente. Isso ainda demonstra um crescimento, o que é muito bom para o setor, pois em primeiro lugar vem a formalização e, depois, a competitividade", acrescenta.
Andrezza também afirma que o segmento no Brasil tem assumido uma onda mundial bastante favorável à beleza masculina. "Estamos vendo um aumento de barbearias temáticas e isso é muito bom porque o público masculino se sentia pouco à vontade nos salões de beleza tradicionais", diz.
Outro viés positivo e importante para o setor, segundo ela, é o Projeto de Lei Salão Parceiro 5230/2013, que trata da relação de trabalho entre o salão de beleza e os parceiros, isto é, os profissionais de beleza. O projeto segue para sanção presidencial. "A gente tem um olhar bastante otimista sobre essa lei e acreditamos que logo estará em vigor. Ela traz muita segurança aos profissionais, o que acaba sendo também um incentivo a novos negócios", sustenta.

NEGÓCIO PRÓPRIO
Ao abrir as portas há sete meses em Londrina, a Barbearia Gerardt celebra o bom momento. Além da clientela conquistada nos tempos em que era funcionário de outro estabelecimento, Rodrigo Gerardt, de 27 anos, vê um aumento de 50% de novos clientes.
O negócio foi aberto em sociedade com a esposa Priscila, que estava frequentando um curso de cabeleireiros. "Sou músico, mas precisava ter uma renda fixa, foi então que, juntos, começamos a amadurecer a ideia da barbearia", conta.
Gerardt deu o primeiro passo se matriculando em um curso de cabeleireiro e, depois, trabalhou em uma barbearia para adquirir experiência e se preparar financeiramente. "O foco sempre foi ter meu próprio negócio e o momento é favorável. O movimento das barbearias está crescendo e o ramo tem se mostrado rentável, com um custo relativamente baixo", avalia.
O mesmo otimismo tem sido vivenciado por Waldineia Fonseca, proprietária da Barbearia Caballeros, inaugurada há dois meses na cidade. Interessada em investir em uma área comercial, ela encontrou a resposta na própria experiência.
"Tenho filhos homens e sempre tive que levá-los em salão de beleza feminino. Desde então, passei a alimentar essa ideia", conta. Anos depois, Waldineia deu um "start" ao projeto e foi buscar referências em grandes centros, como São Paulo e Belo Horizonte.
Ela também fez cursos de corte masculino e barbearia, buscou consultoria no Sebrae e se formalizou como MEI. Além disso, investiu no espaço e na mão de obra. "Temos um público muito bom, sendo a maioria de homens na faixa dos 30 aos 50 anos, mas também temos visto um aumento no número de crianças", revela.
O fato do empreendimento de Waldineia estar instalado em um shopping center, tem sido apontado por ela como uma vantagem. "Em comparação aos primeiros dias, já vejo um aumento de 50% no público e acredito que a flexibilidade dos horários é um dos motivos. Abrimos em horário de shopping, o que inclui aos domingos", cita.

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