Vagas no presente com tecnologia do passado
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de agosto de 2010
Kalinka Amorim<br>Reportagem Local 
Mainframes e servidores de processamento de dados, usados principalmente por empresas de grande porte, utilizam, em sua maioria, programas desenvolvidos em uma linguagem antiga: o Cobol. A tecnologia pode até ser antiga, mas as oportunidades de trabalho são reais e atuais. Há grande demanda por profissionais que ''entendem'' essa linguagem.
De acordo com Marcus Friedrich Von Borstel, diretor de ciência e tecnologia do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e vice-presidente da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro), o mercado londrinense também busca profissionais que programem em Delphi, JAVA e .Net.
Borstel, no mercado há 20 anos, percebe a falta de mão de obra qualificada no setor de Tecnologia da Informação e um aumento na demanda das empresas.
Segundo Régis Percevallis, gerente da BSI Tecnologia, ''profissionais que escolhem Cobol não ficam sem trabalho''. Os salários são um bom atrativo. ''Profissionais com experiência igual ou superior a três anos podem receber mais de R$ 4 mil, em Londrina'', diz Percevallis. Em Curitiba, a média pode chegar a R$ 10 mil.
Formação
Na Capital, a dificuldade em encontrar profissionais tem levado uma empresa a formar mão de obra especializada. ''As faculdades não ensinam mais Cobol. A maioria dos profissionais disponíveis é sênior, contratados também para formar juniores. O assédio sobre esses profissionais é grande'', argumenta Adriane Milena Sales, responsável pelo setor de recursos humanos da BRQ Curitiba.
Só em Curitiba há oferta de 81 vagas, enquanto outras 200 estão abertas pelo País. Esse deficit é creditado pelos especialistas à aposentadoria dos profissionais da área, à grande demanda de serviços e a falta de interesse dos jovens pela linguagem.
''Muitos acham que o Cobol não existe mais. Os jovens acham que só existem os sistemas de baixa plataforma Windows e Linux'', afirma Regis Percevallis, da BSI.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Profissionais Cobol (ABPC), Gilberto Junior, ''mais de 80% dos profissionais têm mais de 15 anos de experiência''.


