Não dá mais para relacionar o universo dos games apenas à diversão. Do lado de cá da tela, há uma verdadeira multidão interessada nos jogos como espectadores, mas também nas oportunidades profissionais que estão surgindo desse mercado.
Ainda que o público seja majoritariamente de jovens e adolescentes, se tornar um profissional de esportes eletrônicos (eSports) requer empenho e esforços como qualquer profissão. Hoje, o leque de oportunidades é extenso, passando por treinador, social media, psicólogo, game designer, cyber atletas, narradores de jogos, entre outros.
"É um mercado cada vez mais promissor, com muitas oportunidades, principalmente quando se pensa nos jogos mobile. E a grande vantagem da área é que não existe muita crise, pois muito do que é produzido aqui é consumido pelo mercado externo, internacional", avalia Bruno Campagnolo de Paula, coordenador do curso superior de Tecnologia em Jogos Digitais, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná.
Uma prova do potencial desse mercado foi a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL), que reuniu mais de 10 mil espectadores no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, há poucos dias. O público ultrapassou a estimativa dos organizadores em 330% e o time brasileiro INTZ conquistou o título e levou R$ 80 mil.
Moacyr Alves Junior, diretor de parcerias da Electronic Sports League (ESL), maior empresa de eSports do mundo que acaba de expandir para o Brasil, e presidente da Associação dos Jogos Eletrônicos do Brasil (Acigames), diz que o mercado de games, em geral, vem crescendo fortemente há quatro anos no País.
"De 2012 para 2014, registramos um crescimento de 35%. Com a crise, houve uma estagnação neste ano, mas para se ter uma ideia, em 2015 teve um aumento de 12%", contabiliza. Ele ainda cita que enquanto em outros países o game já é tido como um negócio sério, no Brasil ainda sofre com o preconceito. "Qualquer assunto relacionado ao game ainda é infantilizado", diz.
Ao considerar o segmento de desenvolvimento de games, Alves Junior estima um aumento tímido de 2% a 3% ao ano, porém, quando a projeção envolve a área de eSports, com a chegada da ESL, ele acredita em um crescimento de 40%.
"Com a chegada da ESL no Brasil e a promoção de campeonatos, uma enorme cadeia de empregos é gerada. Por exemplo, em um time é necessário no mínimo cinco pessoas, um técnico, game house (local onde vai ocorrer o treinamento), entre outros", comenta.
Rafael Dubiela, coordenador do curso de Jogos Digitais do Centro Tecnológico Positivo, comenta que a linha de aprendizagem na instituição é de desenvolvimento de games, uma área carente de profissionais. "Mas direcionamos o aluno para o que o mercado está exigindo no momento", afirma.
E quem está vivenciando essa oportunidade é o game designer Luiz Henrique Monclar, que atua na Aquiris Game Studio, em Porto Alegre (RS). Ao iniciar o curso de Jogos Digitais no Centro Tecnológico Positivo, Monclar já começou a estagiar na área. Formado, ganhou ainda mais experiência em desenvolvimento de diversos tipos de jogos.
Atualmente, seu trabalho envolve muitas etapas de um projeto, como regras gerais do jogo, balanceamento de personagens, manutenção da economia e criação de novas features para o jogo. "Independentemente da área principal que a pessoa escolher para atuar, é importante ter boas noções de outras. Entrar nesse mercado e manter-se nele, requer muita proatividade, persistência e responsabilidade", revela.

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