Estudar e trabalhar no exterior ainda é o sonho de muitos brasileiros que querem unir a prática de um novo idioma, a aproximação com culturas diferentes e a possibilidade de ganhar dinheiro. Uma experiência inesquecível com certeza para aqueles que já tiveram a oportunidade de viajar para outros paises. Conhecer algo novo todo dia é o que acontece para os jovens que escolhem esse tipo de programa, oferecidos pelas agências de intercâmbios.
''O maior aprendizado foram as lições de vida. Lições que levo comigo até hoje e aplico para ser uma pessoa melhor e melhorar o ambiente ao redor'', afirma Júlio Crepaldi Neto, que escolheu o Canadá como destino para praticar inglês e aprimorar os conhecimentos na parte de eletrônica, sua área profissional de atuação.
Os programas que as agências oferecem são vários e para diversos países, como Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Irlanda e tantos outros destinos, que vão depender do desejo e do 'bolso' do cliente. Segundo o diretor da agência CI (Central de Intercâmbios) Londrina, Diego Soares, ''Nem todos os países têm disponibilidade para receber jovens estrangeiros o ano inteiro. Por isso, é imprescindível planejar e escolher o local para viajar com antecedência para verificar se existem vagas'', afirma Crepaldi Neto.
Também não são todos os países que fornecem visto para estudar e trabalhar. Os Estados Unidos, por exemplo, são um dos países que fornecem visto só de estudo ou só de trabalho. Já o Canadá tem sido a bola da vez. Apesar dos programas nem sempre garantirem o emprego, o governo canadense incentiva as escolas a ajudar os alunos e oferece suporte necessário para colocação do profissional no mercado. Outro fator é a falta de mão de obra em vários setores, devido à baixa taxa de natalidade do país. A situação é tão vantajosa que, segundo a Embaixada Canadense no Brasil, cerca de 90 mil estrangeiros entram no país por ano para trabalhar e estudar.
''No Canadá o programa tem seis meses de duração, sendo que durante os três primeiros meses a pessoa vai estudar e depois que terminar esse período de estudo, o aluno vai trabalhar por três meses, antes de retornar para o Brasil'', explica o diretor da CI, que acrescenta que outra vantagem do Canadá é que a própria escola auxilia o aluno a conseguir o emprego, desde que não descumpra a lei que permite apenas três meses de trabalho.
A diretora da agência Experimento, Magaly Leonello, explica que para participar dos programas de trabalho e estudo, como Opus (trabalho em latim) ou Wep (Work & Study Permit), existem pré-requisitos. ''Eles exigem nível mínimo de inglês intermediário, idade entre 18 e 30 anos, pré-seleção individual e até treinamento em grupo'', conta.
Um pacote para o Canadá dentro do programa de estudo e trabalho custa em média R$8.800,00, com acomodação de um mês, sem passagem aérea incluída. A remuneração do trabalho varia de localidade para localidade e também de área para área. No Canadá os empregadores pagam em torno de 8 a 10 dólares canadenses por hora.
Rodolpho Camargo Melo Farinacio desembarcou há poucos dias no Brasil com a bagagem repleta de novidades, entre elas a experiência de atuar como treinee de engenharia química na empresa Fielding Chemical Technologies Inc. ''Aprimorar o inglês e adquirir experiência internacional no mercado de trabalho na minha área de formação foi o meu objetivo'', ressalta.
Júlio, que passou pela mesma experiência de Rodolpho, relata que o período de trabalho no exterior foi tão bom que conseguiu um bom emprego no Brasil, mas ainda pensa em voltar para lá.
A consultora de oportunidades da Agência Brasileira de Estágio (ABRE), Juliana Oliveira Barbino, diz que ''a experiência no exterior e a fluência no inglês é um diferencial importante, principalmente para aqueles que almejam vagas de treinee, área que oferece uma grande demanda no mercado'', destaca a consultora. Ela acredita que só a questão da pessoa ter iniciativa de passar por uma experiência no exterior e a maturidade que se adquire já conta pontos.
Driblando os desafios A saudade da família pode pesar durante a viagem e todo cuidado deve ser tomado. Para muitas pessoas, pode ser a primeira vez que se fica longe da família e isso pode colaborar para que se cometa um dos grandes erros desse tipo de viagem, conta Rodolpho. ''O maior erro, na minha opinião, que acontecia em Vancouver e Toronto, era os brasileiros se juntarem com brasileiros para saírem a bares, festas, e no fim das contas, mal praticavam o inglês e nem conheciam outras pessoas'', lembra.
Procurar escolher lugares que você gosta, fazer uma lista do que deseja buscar e vivenciar, pesquisar sobre o país são algumas dicas. ''O planejamento é muito importante, tanto no financeiro quanto no emocional. Lembre-se de planejar como será sua volta também, retorno aos estudos ou trabalho. E muito cuidado na hora de escolher a agência pela qual vai fazer o programa, porque será ela que oferecerá todo o suporte na viagem'', aconselha Júlio.

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