Quem vivenciou o espírito solidário através do financiamento colaborativo foi a família de André Fiorato Alvares, de 31 anos. No ano passado, ele foi diagnosticado com melanoma, um tipo de câncer de pele.
Como parte do tratamento, a equipe médica optou pela aplicação de um medicamento desenvolvido nos Estados Unidos, o Vemurafenibe, que atua no tumor e não tem distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para um período de 30 dias, o custo do medicamento é de R$ 30.600. Valor que levou a família a iniciar uma campanha de solidariedade no final do mês de janeiro.
O jornalista Valdir Grandini Alvares, pai de André, conta que pela urgência do tratamento não era possível aguardar os trâmites do processo junto ao Ministério da Saúde para a aquisição do remédio.
"Decidimos comprar as primeiras doses com um cheque pré-datado e iniciar uma campanha para custear o remédio por um período de um mês, até o desenrolar do processo", conta.
Com a ajuda de amigos, criaram uma campanha no site colaborativo Vakinha e uma página no Facebook para divulgação. O projeto "Medicamento urgente para o André" conseguiu atingir a meta de R$ 30.600 em apenas 24 horas.
Hoje, já se contabiliza cerca de R$ 50 mil, incluindo as colaborações entregues em mãos e por meio de uma conta bancária. "Os amigos mais chegados foram muito rápidos em colaborar e muitos deram uma colaboração bastante significativa. Desde o primeiro momento, as pessoas agiam e agem como parte da campanha, tanto no sentido de contribuir quanto no sentido de assumir a responsabilidade", diz.
A campanha, que já atingiu 138% da meta, segue até o dia 21 de abril, mas há duas semanas, veio a notícia de que o medicamento foi liberado pelo SUS. "O tratamento será estendido por mais um mês e, por uma precaução, somente vamos repassar o excedente dos recursos ao Hospital do Câncer, como prometido, quando tivermos garantida a vinda do novo lote", salienta.
Ainda de acordo com Grandini, a clareza dos fatos foi fundamental para que as pessoas se sentissem próximas e mobilizadas, além é claro, da rede de relações. "Podemos contar com a solidariedade das pessoas, mas se elas não tiverem a visão clara sobre o que estão fazendo e ajudando, o impacto não será o mesmo", completa.
Com o novo medicamento, André está reagindo bem ao tratamento e atribui isso à solidariedade que criou em Londrina, uma verdadeira corrente do bem. "Eu imaginava que iria demorar um tempo para ter uma repercussão, mas aconteceu o contrário. Foi muito rápido e graças a Deus e todos que ajudaram", comemora. (M.O.)

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