Um novo perfil profissional
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Vinícius Fonseca <br> <br> Reportagem Local 
Considerado organizador de informações, o bibliotecário não vê seu mercado de trabalho ameaçado pela internet. Pelo contrário, a coordenadora do colegiado do Curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Silvana Drumond Monteiro, argumenta que a imagem do profissional pode até estar presa ao suporte livro, mas a realidade é outra. ''Com a inserção das novas tecnologias os profissionais têm ampliado suas formas de trabalho'', afirma.
Mesmo sabendo que o curso tem se aprimorado e ampliado sua forma de atuação ao inserir as novas tecnologias de informação existentes, a questão que fica é: Será que a digitalização dos meios de informação pode levar ao fim das bibliotecas?
Para Silvana, o conteúdo digital e as bibliotecas convencionais vivem hoje um período de coexistência ''A profissão está mudando e estamos acompanhando esse processo. Não se pode dizer quando as bibliotecas virtuais e digitais serão proeminentes, mas é certo que esses profissionais estarão prontos para gerenciar esses conteúdos'', aponta.
Ela salienta que, além das bibliotecas, a graduação permite que se atue em centros de documentação, e de bancos de dados, centros culturais, museus, repartições públicas - na organização da informação- e até cinemas e centrais de mídia. ''O campo é vasto e por não ter tanta demanda muitas vezes somos obrigados a antecipar a formação de alunos que passam em concursos públicos'', ressalta, destacando a fácil inserção no mercado de trabalho.
No Paraná, de acordo com informações da categoria, o piso inicial é de R$ 1.935 para 40 horas semanais. Dependendo do tempo de carreira e as especializações que o biblioteconomista fizer ao longo da carreira, para trabalhar, por exemplo, na indexação e organização de documentos em Tribunais Federais, o salário pode ultrapassar R$ 20 mil.
Na UEL, o curso dispõe de 50 vagas, é ofertado apenas no período noturno e tem duração de 4 anos. A procura por essa formação, no entanto, não é alta, o que Silvana atribui principalmente a dois fatores: ''a errônea percepção de que só se vai trabalhar em bibliotecas e o desconhecimento da profissão''.
''Nossa imagem está muito atrelada ao suporte livro, mas não é só isso. A falta de interesse da população pela leitura pode ter contribuído também para que a profissão não ganhasse os status que tem um curso de Medicina ou Direito'', exemplifica.
Segundo Silvana, os interessados em cursar Biblioteconomia precisam ter facilidade e receptividade às novas tecnologias, gostar da área de gestão e também de questões culturais, além do trato com o público.
A professora constata, porém que muitos profissionais, principalmente de outras áreas, têm percebido a importância de dominar a maneira de gerir a informação e o conhecimento e estão buscando se formar nessa área por meio de pós-graduação.


