Se por um lado, a taxa de desemprego no País registra uma elevação nos últimos meses, por outro, abriu uma nova perspectiva para estudantes que pretendem ingressar no mercado de trabalho via estágios.
A opção das empresas em reduzir os custos com encargos trabalhistas aliada à busca pela formação de novos profissionais, tem aberto as portas para quem ainda está estudando, mas já está de olho no amanhã.
Segundo especialistas, essa é a hora de aproveitar as oportunidades. "O momento é extremamente oportuno para o estágio, em especial para as empresas que estão tendo dificuldade diante desse momento econômico", comenta o diretor nacional da Agência Brasileira de Emprego e Estágio (ABRE), Fernando Linschoten. Ele ressalta que nos últimos meses, houve um aumento de aproximadamente 10% no número de vagas de estágio em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a agência, que está presente em 17 Estados por meio de 32 franqueados, vem registrando cerca de quatro mil novos cadastros diariamente.
Então, se o mercado está favorável, um levantamento da Page Talent realizada no mês de janeiro, mostrou que começar a carreira como estagiário pode ser de fato, um grande passo para o futuro profissional.
Dos 300 executivos entrevistados, que ocupam cargos de alta e média gestão, 73% iniciaram a carreira como estagiários. Isso significa que três em cada quatro ex-estagiários ocupam atualmente, posições estratégicas nas empresas.
Além disso, a pesquisa revela que a experiência adquirida no estágio, foi apontada como fundamental para o desenvolvimento da carreira para 93% dos pesquisados. A maioria (55%) também respondeu que foi efetivada na empresa assim que o estágio foi encerrado.
"O estágio em si não exige que o estudante tenha conhecimento específico. Até porque ele está em busca de uma preparação para o mercado e, nesse sentido, a empresa pode ter a oportunidade de moldá-lo à sua política, tendo mais chance de efetivá-lo, de acordo com seus valores", comenta Viviane Polonio de Oliveira, supervisora da ABRE, em Londrina.
Ainda de acordo com Linschoten, dos 100% de estagiários ocupando vagas nas empresas hoje, uma média de 70% são efetivados. "Antigamente, a atuação do estagiário era muito básica. Hoje, é diferente. De uma forma geral, a empresa faz a contratação com o objetivo de que os estagiários desenvolvam atividades e habilidades, aumentando as chances de efetivação", afirma.

BONS CARGOS
Se de acordo com a pesquisa da Page Talent, boa parte dos estagiários conquistam bons cargos nas empresas, o londrinense Thiago Henrique Bená, de 28 anos, é um exemplo. No primeiro ano da faculdade de Engenharia da Computação, ele enxergou no estágio a chance de colocar em prática, a teoria dada em sala de aula.
Thiago entrou na concessionária Marajó como estagiário de Tecnologia da Informação (TI) e oito meses depois foi efetivado como analista de TI. "Encarei como um aprendizado, como um braço da faculdade porque os dois primeiros anos do curso é muito teórico", diz.
Após dois anos como analista, Bená foi promovido a gerente de TI e, no fim do ano passado, foi nomeado também ao cargo de gerente de Inteligência de Mercado.
"O estágio é realmente um passo para o futuro. Acredito nisso porque a faculdade não consegue nos dar a base concreta do trabalho em si. No dia a dia é tudo diferente. Além do conhecimento técnico, aprendi trabalhar em equipe e a ter a visão do negócio em si", conclui.

EXPERIÊNCIA
A gestora de Recursos Humanos Sandra Ribeiro, que atua em uma concessionária em Londrina, conta que sempre está de olho em candidatos a estágio. Isso porque a empresa oferece há anos, oportunidades para estudantes, em especial nas áreas de Administração, Publicidade e Marketing e Vendas.
Atualmente, são oito estagiários em atuação. "Para nós, a presença do estagiário é boa porque ele traz inovação, um pouco do conhecimento da sala de aula e conseguimos orientá-lo, de acordo com os interesses da empresa. Ele oxigena o ambiente", observa.
Sandra é responsável pelo processo de seleção e para salientar a importância de um estagiário para a empresa, lembra sempre da própria experiência. Em 2005, no terceiro ano de faculdade de Administração, ela foi contratada para estagiar em uma multinacional alemã em São Paulo.
Em sete meses, foi efetivada como auxiliar de RH. "Foi muito positivo porque pude aprender com bons profissionais. Uma conquista que eu não imaginava que fosse acontecer tão rápido", conta.
Em pouco tempo, Sandra foi promovida a diversos cargos até chegar a sênior, um cargo de extrema confiança. Dez anos depois, voltou para Londrina para estar perto da família. "Pela minha história posso afirmar o quanto o estágio é fundamental. É, de fato, a entrada para o mercado de trabalho", completa.

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