Um golaço na carreira
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Rafael Costa <BR> Reportagem Local 

Muita coisa acontece além dos 90 minutos de performance de um time de futebol e não é só relacionado à preparação tática, técnica e física dos jogadores. Clubes são organizações cada vez mais complexas e com estruturas empresariais, que envolvem profissionais de diversas áreas - desde aquelas ligadas ao esporte até os negócios. Elas estão evoluindo no Brasil e isso pode resultar em novas oportunidades de trabalho neste segmento.
Esta é a avaliação de profissionais do mundo do futebol ouvidos pela reportagem da FOLHA. "Cada vez mais, vai diminuindo a presença do abnegado, do torcedor, do diretor estatutário. A presença dos profissionais está aumentando e os clubes estão buscando mão de obra qualificada em cada área", avalia Júnior Chávare, com passagens pelo Grêmio e pelo São Paulo, e hoje diretor de operações e novos negócios do Clube Atlético Tubarão (SC), o primeiro clube startup do país. "O futebol precisa de gestão empresarial, porque é um negócio. Ele tem uma variável que, infelizmente, contamina muita gente, que é a emoção. Mas tem de ser tratado como um negócio", defende.
Não à toa, as áreas administrativa, comercial, de marketing e comunicação se destacam nesta tendência de crescimento. "Vejo um movimento de profissionalização, talvez, até maior para essas áreas do que para o futebol", avalia Thiago Scuro, CEO do Red Bull Brasil.
Formação
O diretor de mercado e comunicação do Esporte Clube Vitória, Anderson Nunes, vê a área em que acabou ingressando por acaso, há pouco mais de uma década, como uma das mais promissoras. "Apesar de ter grandes profissionais atuando há décadas, tem um pessoal chegando nos últimos dez anos com um perfil de especialização maior", avalia.
Para ele, as mudanças trazidas pelo próprio marketing digital contribuíram. Foi neste período que as empresas começaram a produzir seus próprios conteúdos - tendência que também pode ser percebida nos clubes de futebol, que estão cada vez mais investindo em suas próprias tevês, por exemplo. Mas a disseminação de cursos específicos para o segmento, em sua opinião, teve um papel fundamental.
"Hoje, existem mais escolas direcionadas para este área", diz. "Tivemos a Copa do Mundo, a Olimpíada. Tudo isso acabou atraindo profissionais que não tinham o esporte no radar."
Para Nunes, os clubes compreenderam que precisavam da expertise oferecida por este tipo de profissional neste novo momento. "Entendeu-se que a parte acadêmica era fundamental para trazer profissionais com capacitação", diz.
Especificidades
Thiago Scuro, que se formou em Ciência do Esporte na UEL (Universidade Estadual de Londrina) antes de cursar uma série de especializações em gestão empresarial e do futebol, diz que a experiência em outros mercados é importante, mas lembra que o conhecimento sobre futebol também é essencial.
Ele explica que o diretor executivo de um clube de futebol, por exemplo, tem a obrigação de planejar e operacionalizar projetos, traçar cenários e planejar o futuro da operação de um departamento de futebol - o que exige bons conhecimentos de governança, controle financeiro, planejamento estratégico e gestão de pessoas. Ao mesmo tempo, conhecer do jogo também é fundamental para fazer as análises necessárias. "O resultado desportivo condiciona a performance [da organização]", diz. "Por isso, encontrar o balanço é o grande desafio", explica.
Ele também lembra que, independentemente da área, trabalha-se em um ambiente de exigência alta no que diz respeito à dedicação - o que deve ser levado em conta por aspirantes a trabalhos nesta área. Viagens frequentes fazem parte da rotina e os finais de semana e feriados costumam ser ocupados por jogos e eventos. "Tem que gostar bastante disso e ter muito interesse em futebol",
orienta.
Preparo emocional e paciência para lidar com torcedores furiosos também faz parte do jogo, lembra Anderson Nunes. "O fator psicológico é muito importante. Estamos lidando com o atendimento a um público com um forte elemento de paixão. Temos de estar preparados para suportar pressão", conta. "É um negócio em que o cliente é a torcida", complementa Chávare. "E é um cliente só gosta de uma coisa: vitória."


