Curitiba - O profissional que troca muito de emprego em um espaço curto de tempo não é visto com bons olhos pelos recrutadores e pode ter mais dificuldades de conseguir uma colocação no mercado de trabalho.
A pesquisa ''A Contratação, a Demissão e a Carreira dos Executivos Brasileiros'', realizada pela Catho Online, mostrou que 89,3% dos presidentes e diretores de empresas têm alguma restrição a profissionais que passam por períodos curtos dentro de cada empresa. Cerca de 84% dos gerentes e supervisores não veem de forma positiva pessoas que têm curta permanência nas experiências profissionais anteriores.
O levantamento contou com a opinião de 16.207 participantes, que responderam a um formulário on-line com 299 perguntas. Foram levadas em consideração apenas as respostas de profissionais que trabalham em empresas privadas, com mais de 18 anos de idade.
Pesquisa realizada pela empresa de recursos humanos De Bernt Entschev apontou que gerentes acreditam que o tempo médio de permanência de um executivo em uma empresa deve ser de dois a cinco anos. A amostra colheu respostas de 200 profissionais.
Cerca de 52% dos entrevistados pela De Bernt acreditam que ficar em uma empresa por mais de cinco anos pode não ser favorável ao desenrolar da carreira profissional. Em contrapartida, a mesma pesquisa mostrou que ficar em uma empresa por tempo inferior a dois anos, pode distorcer a imagem do profissional.
Na opinião do headhunter Bernt Entschev, o tempo ideal em um cargo, independente se na mesma empresa ou não, é de até cinco anos. ''Não importa se o profissional vai ficar cinco, dez ou 15 anos em uma mesma organização. O fundamental é que ele avance nesse tempo máximo'', destacou.
''O profissional que fica um ano em cada empresa não tem tempo para demonstrar os resultados do trabalho. Recrutadores veem isso como falta de comprometimento e dedicação'', disse a diretora da unidade Paraná da Bernt Entschev, Ruth Bandeira. Segundo ela, para essas pessoas uma diferença de R$ 100 ou R$ 200 a mais no salário é mais importante que o desenvolvimento profissional.
Ruth destacou que uma das áreas que mais tem rodízio de profissionais é a de Tecnologia da Informação porque há um número insuficiente de pessoas neste segmento. Muitas vezes, o profissional se envolve com o projeto e não com a empresa e, ao concluir um trabalho, busca outra organização.
Ela acredita que um prazo de três anos, a pessoa tem tempo para ter pleno conhecimento da função, amadurecer e galgar um novo desafio. No entanto, lembrou que progressões na hierarquia demoram mais tempo. As movimentação podem ser horizontais, ou seja, sair de uma área para outra, mas no mesmo cargo. Só que para se movimentar na empresa, o ideal é preparar um substituto.
O diretor da Catho Consultoria em RH em Curitiba, Sergio Cesarino, disse que os profissionais que ficam mais tempo estão preocupados com a carreira e a empresa. Ele lembrou que outros cargos com muito rodízio são vendedor, atendente de telemarketing e funções operacionais em supermercados.

mockup