Trabalho: castigo ou satisfação?
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de setembro de 2011
Kalinka Amorim <br> <br> Reportagem Local 
O estresse há muito vem sendo debatido e estudado no meio corporativo. Doenças provocadas por excesso de trabalho e tensões são cada vez mais comuns nas empresas e representam prejuízos de todas as ordens e para todos os envolvidos.
Estudo da representação brasileira da International Stress Management Association (Isma-BR), indica que 70% da população economicamente ativa no Brasil está estressada. Além de problemas para os trabalhadores e empresas, a Previdência já gastou quase R$ 150 milhões com auxílio aos profissionais que sofrem com os mais variados distúrbios. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, 109 mil profissionais receberam auxílio-doença por conta de efeitos gerados pelo estresse, contra 85 mil casos registrados no mesmo período de 2010.
Funcionários estressados, conforme especialistas, apresentam baixo rendimento, baixa autoestima e costumam provocar o desestímulo de toda a equipe, e ainda, ter a realização profissional, pessoal e a qualidade de vida totalmente influenciadas negativamente.
De acordo com o consultor e especialista em desenvolvimento humano, Eduardo Shinyashiki, o número de queixas de estresse relacionado às atividades produtivas têm aumentado cada vez mais e geram sintomas como ansiedade e angústia. ''Mal estar e doenças físicas manifestam-se por conta do contexto do próprio trabalho e função desempenhada, crescendo a desconfiança pela profissão, às vezes encarada como ameaça à própria saúde'', afirma. Nesse contexto, conforme Shinyashiki, o trabalho em vez de ser uma realização, torna-se uma obrigação.
Ele acrescenta que todos esses sintomas podem ser causados pelo excesso de tarefas, o medo da demissão, conflitos interpessoais no ambiente ou então pela sensação de não conseguir os objetivos estabelecidos. ''Pode parecer um desequilíbrio entre o desempenho exigido e a crença de não ter as capacidades para atingí-lo. Mas a distância entre as metas e expectativas profissionais e as próprias limitações pessoais podem ficar cada vez maiores na cabeça e criar um profundo mal estar, assim como a falta de sintonia entre a atividade profissional e os valores pessoais podem desestimular esse colaborador'', aponta.
Hora de rever hábitos
Na opinião de Anderson Cavalcante, administrador de empresas e especialista em desenvolvimento das competências humanas, práticas como jornadas permanentes, que ultrapassam 10 horas por dia, e o acúmulo de tarefas são fatores estressores cada vez mais presentes no cotidiano das empresas. ''As empresas, ao invés de verem seus resultados melhorando, estão fazendo com que seus colaboradores fiquem desmotivados, sem energia e incapacitados de buscarem as metas estabelecidas'', diz.
Ele acrescenta que até junho, a Previdência já havia gasto R$ 147 milhões com o apoio prestado aos que sofrem com as consequências do estresse. Para Cavalcante, isso demonstra a dimensão do problema e evidencia que 'remediar' não é mais a saída. ''Temos que ver o estresse como um mal da saúde pública e não apenas como algo relacionado ao trabalhador e às empresas. Caso a questão não seja tratada com seriedade em sua base, veremos os números aumentarem constantemente'', afirma.
Conforme Cavalcante, a regressão do nível do estresse no trabalho está atrelada à satisfação que ele proporciona ao colaborador. ''O trabalho deve ser uma atividade prazerosa, não uma tortura'', diz.
Para amenizar o problema ele recomenda que todo profissional tenha cuidado com a alimentação e realize diariamente atividades físicas. Observar se os valores pessoais e profissionais e os objetivos estão alinhados às exigências da empresa em que está atualmente, segundo ele, também é um fator importante. ''Para evitar o estresse o profissional deve ter foco no resultado para não desviar as metas e acumular tarefas e se preocupar com elas'', adverte.


