A demanda crescente pelo mercado formal de trabalho mostra que a maior parte das pessoas ainda prefere a segurança, os benefícios e a formalidade garantidos pela carteira assinada. Só no primeiro trimestre deste ano foi detectado um aumento de 30% na busca por empregos formais na Agência do Trabalhador Londrina (Sine). Fato que coloca o município na lista dos que mais geram empregos no país de acordo com números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A garantia do trabalho assegurado tem respaldo também na pesquisa realizada recentemente pelo trabalhando.com que ouviu 450 pessoas e descobriu que 84% dos brasileiros preferem trabalhar no regime das Consolidações das Leis Trabalhistas (CLT) aos serviços autônomos. A pesquisa revela ainda que números mostram que 72% dos entrevistados já estão contratados no regime CLT e elegem essa forma de trabalho, enquanto 12% são freelancers, mas gostariam de migrar para o CLT. Dos demais profissionais que participaram da pesquisa, somente 9% dos que trabalham sobre o regime CLT gostariam de ser freelancers e 7% dos freelancers estão satisfeitos com esse tipo de trabalho.
Na opinião de Renato Grinberg, especialista em carreiras e mercado de trabalho, os resultados demostram que a preferência está relacionada aos benefícios que a carteira assinada proporciona e ao tradicionalismo do brasileiro.''Isso mostra que os brasileiros são mais conservadores, e ter certa garantia do trabalho assegurado deixa o profissional mais tranquilo e, em alguns casos, mais produtivo. Nos Estados Unidos, por exemplo, é bem diferente, o regime trabalhista é baseado em contratos e praticamente tudo é combinado''diz.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, vai além. Para ele, o fato de ter a carteira de trabalho assinada, para esses trabalhadores, significa um status de cidadania. ''Através do emprego formal o empregado passa a ter os benefícios da previdência, acesso a créditos e financiamentos com mais facilidade pelo fato de ter como comprovar renda, além do que, ele está contribuindo para a aposentadoria, com a dedução mensal que é feita de seu salário'', afirma.
Ter um emprego formal, na opinião de Cordeiro, é mais seguro do que trabalhar como freelancer ou ser dono de negócio próprio. O vínculo empregatício, segundo ele, assegura uma estabilidade maior. ''Numa situação de economia menos acelerada, a última medida que a empresa toma antes de seu fechamento, por exemplo, é a demissão, e, ainda assim, o trabalhador tem a estabilidade da indenização, onde receberá o FGTS e o seguro-desemprego'', exemplifica, argumentando que o empreendedor, na mesma situação, geralmente, sai com dívidas.''Os dois casos, quando a economia não está acelerada, podem sofrer seus reflexos. Tudo vai depender da economia e da localização onde estão'', explica.
A coordenadora da Agência do Trabalhador (Sine), Neiva Sefrin, tem opinião um pouco diferente. Ela não vê o emprego formal como algo estável. Para ela, o fato de o empregado estar registrado sob o regime CLT gera uma falsa segurança.''Hoje não há mais segurança em ter um emprego formal. O mercado de trabalho atual está pautado num sistema econômico baseado na meritocracia. Se você produz está empregado, caso contrário será substituído por alguém que faça o que o outro não conseguiu fazer. O regime CLT gera uma falsa segurança de estabilidade e esta mentalidade do trabalhador precisa ser transformada'', afirma.
Em contrapartida, ela reconhece que a demanda é crescente pelo mercado formal de trabalho. A busca pelo trabalho formal teve aumento de 30% no Sine. Ela atribui essa aceleração ao bom momento de oportunidades que o mercado está oferecendo. ''A divulgação das vagas aumentou e isso propicia para as pessoas uma maior conscientização pelo emprego formal'', afirma, acrescentando que a luta desse trabalhador não termina ao conseguir um emprego formal. ''Para se manter estável esse empregado terá que se destacar pela produção e pela busca de novos conhecimentos a cada dia'', frisa.

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